Vacina deve ser do povo, diz António Guterres

Arquivado em: Destaque do Dia, Europa, Mundo, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 18 de dezembro de 2020 as 11:39, por: CdB

Na Alemanha, António Guterres faz duro discurso, condena “vírus da desinformação” e diz que populismo ignora a ciência e desorienta as pessoas. Ele defende que imunizante deve ser tratado como bem público.

Por Redação, com DW – de Berlim

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta sexta-feira um apelo aos países ricos para que apoiem os mais pobres na aquisição de vacinas e no combate à pandemia de covid-19.

Secretário-geral da ONU, António Guterres discursa no Bundestag junto a chanceler Angela Merkel e autoridades
Secretário-geral da ONU, António Guterres discursa no Bundestag junto a chanceler Angela Merkel e autoridades

Em pronunciamento ao Parlamento alemão na ocasião dos 75 anos da fundação da ONU, Guterres enfatizou que o mundo precisa assegurar que a imunização contra o coronavírus esteja disponível “para todos, em toda parte” e que as vacinas sejam tratadas como um bem público

Em Berlim, o português exaltou o papel da Alemanha na luta contra a doença e os pesquisadores da empresa alemã de biotecnologia Biontech, que, em parceria com a farmacêutica americana Pfizer, disponibilizou no mercado a primeira vacina contra a doença.

Combate ao “vírus da desinformação”

– Nosso objetivo agora é assegurar que as vacinas seja tratadas como um bem público, acessível e pagável para todos – destacou. “Uma vacina do povo.”

Guterres disse que a ONU está comprometida a fornecer informações e aconselhamento confiável, “orientada pela ciência, baseada em fatos”, de modo a aumentar a confiança nas vacinas e combater o que chamou de “vírus da desinformação”.

– Em todo o mundo, vimos como o populismo ignora a ciência e desorienta as pessoas. Desinformação, mitos e teorias selvagens da conspiração estão sendo propagadas – alertou.

Guterres destacou que a iniciativa Covax Facility, criada para garantir o acesso dos países mais pobres às vacinas e apoiado pela ONU, necessita de US$ 5 bilhões até ao final de janeiro de 2021. No total, o programa, ao qual também o Brasil já formalizou sua adesão, precisará de pelo menos de 20 bilhões de dólares para cumprir seus objetivos, lembrou o secretário-geral da ONU.

– Ao mesmo tempo, vejo países que compraram vacinas em volume várias vezes superior às respetivas populações, ou pelo menos fizeram ofertas nesse sentido – observou Guterres, exortando os governos a doarem as doses em excesso à iniciativa Covax.

A Covax é o principal sistema global para garantir que os países de renda baixa e média tenham acesso às vacinas. O programa pretende distribuir pelo menos 2 bilhões de doses até ao final de 2021 de forma a imunizar 20% das pessoas mais vulneráveis em 91 países pobres, principalmente na África, Ásia e América Latina.

Alemanha como “força para a paz”

Guterres enalteceu o governo da chanceler federal Angela Merkel. Ele afirmou que seu “racionalismo, firmeza, compaixão e sabedoria” guiaram a Alemanha através da pandemia: “Louvo seus passos imediatos e decisivos orientados pela ciência, com dados e ações locais  que suprimiram a transmissão do vírus e salvaram vidas.”

Ele afirmou que os alemães têm motivos para estar “muito orgulhosos de suas conquistas” e enalteceu o país como uma “força para a paz” e um “pilar do multilateralismo”.

– Como secretário-geral, testemunho diariamente o modo como a Alemanha, com sua profunda consciência histórica e responsabilidade, desempenha papel de liderança no mundo – afirmou, discursando em alemão. “Vejo como a Alemanha enfrenta os desafios de nosso tempo”, observou.

Após a visita ao Bundestag, Guterres manteve reuniões com Merkel e o presidente alemão, Frank-Walter Steimeier.