Vacina é liberada na Rússia e quem se imuniza contra covid ganha um sorvete

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Publicado sábado, 13 de fevereiro de 2021 as 15:53, por: CdB

A vacina russa Sputnik V está disponível aqui desde 18 de janeiro. É grátis, você não precisa marcar hora e ainda recebe um sorvete de chocolate, grátis. A instalação parece a propaganda perfeita para o imunizante, que recebeu o nome do primeiro satélite do mundo.

Por Redação, com DW – de Moscou

Atravesse os paralelepípedos da Praça Vermelha e entre na lendária loja de departamentos GUM em Moscou. Cruze os corredores sob o teto de vidro do século XIX que antes abrigava os escassos bem de consumo da era soviética e que agora é repleto de marcas de luxo. E você encontrará o posto de vacinação, bem em frente à Gucci.

Quem toma a vacina contra covid-19 na loja de departamentos GUM, em Moscou, ganha um sorvete de chocolate

A vacina russa Sputnik V está disponível aqui desde 18 de janeiro. É grátis, você não precisa marcar hora e ainda recebe um sorvete de chocolate, grátis. A instalação parece a propaganda perfeita para o imunizante, que recebeu o nome do primeiro satélite do mundo.

A vacina ficou disponível para alguns grupos de risco, incluindo médicos e assistentes sociais no início de dezembro. Aos poucos, mais grupos foram ganhando vaga na fila. Agora, está disponível para qualquer um – inclusive turistas. Em janeiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o lançamento de um ambicioso programa de “vacinação em massa”.

Estrangeiros

Na semana passada, o prefeito de Moscou anunciou que 400 mil pessoas haviam sido vacinadas na capital, que tem cerca de 12 milhões de habitantes. Há cerca de 100 hospitais que aplicam a vacina em Moscou. Ela também está disponível vários pontos de vacinação, incluindo centros comerciais e uma casa de ópera.

Na loja de departamentos GUM, não há grandes filas para a vacina, mas um fluxo constante de pessoas – jovens e idosos – chegam para recebê-la.

— A Rússia tem as melhores vacinas e o melhor remédio — diz Ekaterina Avonina. A jovem afirma que teve o coronavírus há seis meses, mas não quer ficar doente novamente.

A moradora de Moscou nunca teve dúvidas sobre a Sputnik V.

— Ontem estive aqui com minhas amigas e vi que elas estavam aplicando vacinas. E vim tomar a minha hoje — contou.

Sem dúvida

Os voluntários e funcionários que ajudam com a vacinação na GUM estimam que cerca de um terço dos que recebem a vacina na loja de departamento são estrangeiros, embora não haja números que confirmem isso.

— Eu nem sabia que havia tantos estrangeiros vivendo em Moscou — diz Sofia Markova, enquanto distribui sorvete aos vacinados.

O músico nascido nos EUA Josh Lanza se empolga sobre conseguir a Sputnik em “um momento histórico e no meio deste belo edifício bem na Praça Vermelha”. George Tewson, um britânico que vive atualmente em Moscou, veio para conseguir a chance com sua esposa russa. Ele garante que não se sente parte de uma campanha de propaganda russa.

— Uma das formas de sair da situação em que nos encontramos é através de pessoas sendo vacinadas. Então, se você tem a oportunidade de obter a vacina, por que não ir em frente? — questiona, explicando que recentemente superou suas dúvidas iniciais sobre a Sputnik.

Orgulho nacional

Para a Rússia, o lançamento da vacina é uma questão de orgulho nacional. Há duas vacinas registradas no país e uma terceira a caminho. Ainda nesta semana, a Rússia entregou um pedido para obter a aprovação da UE para a Sputnik V. A Hungria já aprovou. A vacina russa também está disponível em vários países fora da UE, como Argentina e Sérvia. No Brasil, ela também aguarda aprovação.

Na semana passada, uma pesquisa revisada por pares publicada na revista científica The Lancet mostrou que a vacina tem eficácia média de 91,6% para casos sintomáticos. O artigo reforçou a confiança na vacina russa, em meio a críticas de que os testes teriam sido apressados.

O número de infectados no país vem caindo constantemente desde um pico em dezembro. Existem, atualmente, cerca de 15 mil novos casos por dia, semelhante ao nível de infecções que a Rússia tinha em meados de outubro.

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