Vacinação lenta provoca tensões entre países da UE

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Publicado quarta-feira, 6 de janeiro de 2021 as 13:55, por: CdB

A frustração com o ritmo lento da vacinação contra covid-19 tem gerado tensões na União Europeia, em repetição dos conflitos ocorridos no início da pandemia por compartilhamento de equipamentos médicos de proteção e fechamento de fronteiras.

Por Redação, com Reuters – de Bruxelas

A frustração com o ritmo lento da vacinação contra covid-19 tem gerado tensões na União Europeia, em repetição dos conflitos ocorridos no início da pandemia por compartilhamento de equipamentos médicos de proteção e fechamento de fronteiras.

Funcionária de casa de repouso recebe a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech contra covid-19 na Holanda, último país da UE a iniciar a vacinação contra o coronavírus
Funcionária de casa de repouso recebe a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech contra covid-19 na Holanda, último país da UE a iniciar a vacinação contra o coronavírus

Há preocupações de que um pedido separado de vacinas da Pfizer-BioNTech que a Alemanha fez para si poderia reduzir os suprimentos para distribuição em todo o bloco, e uma rusga surgiu sobre contratos assinados para vacinas “francesas” e “alemãs”.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que representa os 27 governos dos Estados-membros da UE, disse na terça-feira que convocaria uma videoconferência antes do final de janeiro para discutir o “tremendo” desafio da vacinação que eles enfrentam.

A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, assinou seis acordos de fornecimento com fabricantes de vacinas para quase 2 bilhões de doses a serem distribuídas em uma base pro-rata aos Estados membros de acordo com suas populações.

Destas, apenas a vacina Pfizer-BioNTech havia sido aprovada para uso até terça-feira. Mas nesta quarta, após a Agência Europeia de Medicamentos recomendar a aprovação da vacina da Moderna, a Comissão Europei deu sua aprovação, último passo para a autorização do uso do imunizante no bloco.

Comissão Europeia

A Comissão Europeia defendeu nesta semana sua estratégia, dizendo que era importante não colocar todos os ovos na mesma cesta quando várias vacinas ainda estavam em estágio de desenvolvimento.

– Sempre soubemos que seria uma operação complexa e é precisamente por isso que a Comissão Europeia foi tão dura sobre a importância de que pudéssemos assinar contratos com diferentes empresas – disse o porta-voz Eric Mamer na quarta-feira.

O governo alemão está enfrentando críticas dentro do país por não garantir um maior fornecimento da vacina desenvolvida pela alemã BioNTech com a norte-americana Pfizer.

Apesar das críticas, em setembro, o país chegou a um acordo bilateral, separado dos contratos da UE, para mais 30 milhões de doses, disseram autoridades alemãs.

A Comissão Europeia afirmou que os países da UE se comprometeram a não conduzir negociações paralelas com os fabricantes de vacinas, mas se recusou a comentar se a Alemanha tinha um acordo separado com a BioNTech.

Alemanha

Separadamente, Karl Lauterbach, um epidemiologista e parlamentar com os parceiros da coalizão social-democrata da chanceler alemã Angela Merkel, acusou a França de tentar influenciar os contratos da UE em favor de uma vacina que está sendo desenvolvida pela francesa Sanofi e GlaxoSmithKline.

– A França cuidou para que não fossem compradas muitas vacinas alemãs em relação à vacina francesa – disse ele à TV alemã na segunda-feira. “Eu acredito que outras questões, ao invés de questões puramente relacionadas à saúde, tiveram um papel aqui.”

Lauterbach não quis comentar nesta quarta-feira.

O ministro francês de Assuntos Europeus, Clément Beaune, rejeitou as acusações contra a França como “inaceitáveis e falsas”.

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