Vale fatura alto, sem pagar por prejuízos por tragédia em Minas

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Publicado segunda-feira, 16 de julho de 2018 as 18:54, por: Gilberto de Souza

Perto dos mil dias após a tragédia sócio-ambiental em Mariana, “a falta de punição e ‘novo acordo’ entre as mineradoras Samarco, Vale e BHP e a justiça mostra que o crime compensa”.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A produção e as vendas de minério de ferro e pelotas pela Vale bateram no segundo trimestre um recorde para o período, em meio a um aumento das atividades na importante mina S11D, no Pará, e redução da produção em minas de menor qualidade nos sistemas Sul e Sudeste, disse a companhia nesta segunda-feira. Os resultados da mineradora também foram acrescidos pela ausência no pagamento pelas vítimas no vazamento de detritos em Mariana (MG).

Quase mil dias depois da tragédia, nenhum pagamento às vítimas, em Mariana
Quase mil dias depois da tragédia, nenhum pagamento às vítimas, em Mariana

O resultado foi classificado como sólido por analistas de mercado, que consideraram ainda o desempenho diante do locaute de caminhoneiros em maio, que causou danos à economia brasileira e desabastecimento de combustíveis e outros produtos em diversas regiões do país.

A maior produtora e exportadora global de minério de ferro vendeu 73,29 milhões de toneladas no segundo trimestre, uma alta de 5,8% ante o mesmo período do ano passado e um avanço de 2,9% ante os três primeiros meses do ano, mostrou a empresa em relatório trimestral publicado ao mercado.

Produção recorde

Os volumes de venda de minério de ferro e pelotas totalizaram 86,5 milhões de toneladas entre abril e junho, alta de 5,8% ante o mesmo trimestre do ano passado, um recorde para o período.

“O mix de vendas da Vale melhorou substancialmente em relação ao mesmo período do ano anterior, como resultado do ramp-up do S11D e da decisão de reduzir progressivamente a produção de minério de baixo teor”, disse a Vale, que irá publicar seu balanço financeiro em 25 de julho, após o fechamento do mercado.

A produção de minério de ferro da Vale, por sua vez, totalizou um recorde para um segundo trimestre de 96,755 milhões de toneladas entre abril e junho, alta de 5,3% ante o mesmo período do ano passado e avanço de 18,1% ante os primeiros três meses do ano.

Ajustamento

Perto dos mil dias após a tragédia sócio-ambiental em Mariana, “a falta de punição e ‘novo acordo’ entre as mineradoras Samarco, Vale e BHP e a justiça mostra que o crime compensa – e muito”, afirma o jornalista Maurício Angelo, no site Miniver, de jornalismo independente.

“Dois anos e meio ou quase mil dias depois do maior crime ambiental da história do Brasil e um dos maiores do mundo, depois de adiar por cinco vezes o cumprimento do acordo, a notícia veio sem pegar ninguém exatamente de surpresa: a ação civil pública do MPF que pedia R$ 155 bilhões de reparação foi ‘suspensa;, a outra ação do governo federal que pedia R$ 20 bilhões foi extinta e um novo ‘Termo de Ajustamento de Conduta’ foi assinado.

“Com o ar de normalidade aparente que a justiça – o terror de classe organizado – sempre tem, o discurso agora é que os atingidos terão ‘mais participação’ nas decisões, espremidos em um conselho das empresas e de consultorias em que são minoria. Mil dias depois. Matar 19 pessoas, poluir mais de 600 km de rio, o Complexo de Abrolhos e o Oceano Atlântico e atingir diretamente a vida de milhões de pessoas parece não ser suficiente.

Sem pagamento

“A Fundação Renova continua à frente das ações, mas terá uma ‘nova governança’, com nove membros em seu conselho curador: dois representantes dos atingidos e um do poder público, além dos seis das empresas. Ou seja: 6 a 3 ou 7 a 2, se você considerar que o poder público tem seu papel na história – e que não é pouco.

“Se você considerar as excrescências do processo, empilhados. É quase um 7 a 1, como está gravado no consciente coletivo, só que muito pior. Além disso, dizem, serão criadas ‘duas novas instâncias de discussão’ – um Conselho Inter-Federativo e 39 Comissões Regionais – ‘para dar voz às vítimas do acidente e ampliar os mecanismos de controle”, afirma.

Ainda segundo o texto, “no entanto, a burocracia sempre triunfante soa escarnecedora depois de mil dias, nenhuma multa paga, pouquíssima reparação executada e ninguém criminalmente condenado”, conclui.

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