Varejo prevê mais uma Semana Santa sem clientes e vendas abaixo do normal

Arquivado em: Comércio, Indústria, Negócios, Serviços, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 1 de abril de 2021 as 16:31, por: CdB

Na tradição católica, a semana em que se celebra a Sexta-Feira Santa e a Páscoa exalta a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Em tempos normais, a data impulsionaria não apenas as vendas do comércio – principalmente de pescados e de chocolates -, mas o turismo doméstico, uma vez que a sexta-feira é feriado nacional.

Por Redação, com ABr – de São Paulo e Santos (SP)

A tendência das vendas no varejo em geral, durante esta Semana Santa, está 2,2% menor do que o mesmo período, no ano passado. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado nesta quinta-feira, o movimento tende a ficar na casa dos R$ 1,62 bilhão. Uma vez confirmada a previsão, terá sido o pior resultado desde 2008, segundo a CNC.

Com o avanço da pandemia, as vendas no varejo tendem a cair ainda mais, preveem analistas
Com o avanço da pandemia, as vendas no varejo tendem a cair ainda mais, preveem analistas

Na tradição católica, a semana em que se celebra a Sexta-Feira Santa e a Páscoa exalta a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Em tempos normais, a data impulsionaria não apenas as vendas do comércio – principalmente de pescados e de chocolates -, mas o turismo doméstico, uma vez que a sexta-feira é feriado nacional.

No entanto, pelo segundo ano consecutivo, a celebração ocorre em meio às restrições que afetam além das cerimônias religiosas, as atividades comerciais. Em nota, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que a retração nas vendas deste ano se deve também às restrições de funcionamento do comércio e ao fato de que parte da população viu a renda cair em um momento em que a desvalorização do real frente ao dólar encareceu a importação de alguns produtos típicos.

Segundo a confederação, a quantidade de chocolates importada (2,9 mil toneladas) é a menor desde 2013. A de bacalhau (2,26 mil toneladas), a mais baixa desde 2009.

Desemprego

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Ubiracy Fonsêca, os fabricantes de chocolate tiveram que levar em conta a perda de poder aquisitivo de parte dos consumidores para pensar suas estratégias de vendas, mas, ainda assim, o setor está otimista.

— A perda de poder aquisitivo é real. Há muita gente sem emprego, sem poder trabalhar. Tendo isso em vista, as fabricantes de chocolate procuraram oferecer produtos acessíveis à população. Quem não puder comprar um ovo de Páscoa, pode adquirir uma barra de chocolate. A estratégia do setor é oferecer o que o mercado quer — disse Fonsêca a jornalistas.

A quatro dias do domingo de Páscoa, Fonsêca destacou que a indústria de chocolates previa criar, direta e indiretamente, 11.665 vagas de trabalho temporário e superar as 8,5 toneladas vendidas em 2020. Metas que, segundo ele, devem ser atingidas.

Pescados

Em Santos (SP), onde o funcionamento de boa parte do comércio e serviços está suspenso até o domingo, os comerciantes do tradicional Mercado de Peixes tiveram que se organizar para levar os produtos ainda frescos até a casa dos clientes, que passaram a fazer suas compras por telefone. Ainda assim, de acordo com Alex Vieira, dono de um dos 20 boxes em funcionamento no local, muitos viram as vendas caírem drasticamente.

— No nosso caso, as vendas caíram em torno de 60% a 70%”, afirmou Vieira, cuja família está no ramo há cerca de 40 anos. “Esta é uma situação totalmente nova para todo mundo, incluindo os clientes. Muitos, que comem peixe sempre e são nossos fregueses há tempos, nos telefonaram e anteciparam seus pedidos, mas há também aqueles que gostam de vir ao mercado, de ver o peixe, escolher. Desses, parte não compra sem olhar o produto, não tem uma relação de confiança já estabelecida — acrescentou o comerciante santista.

Contratos

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, por sua vez, destacou que o comércio de pescados comporta diferentes realidades. Segundo ele, para os produtores de peixes cultivados (piscicultores), cujos principais clientes são os supermercados (autorizados a funcionar mesmo onde o confinamento foi adotado), as boas expectativas já se concretizaram.

— Os supermercados não estão sofrendo grandes restrições. Pelo contrário. Estão vendendo muito bem. E, ao contrário da indústria pesqueira marítima, afetada pela pandemia, a piscicultura também não parou. Mantivemos a regularidade, entregando aos compradores as quantidades previamente estabelecidas em contratos e sem aumento nos preços — resumiu Medeiros, estimando que o segmento vendeu cerca de 100 mil toneladas ao longo do último mês.