Variantes incitam segunda disparada na Índia, dizem epidemiologistas

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Publicado quinta-feira, 15 de abril de 2021 as 12:57, por: CdB

A segunda disparada de casos de covid-19 na Índia está sobrecarregando os hospitais muito mais rápido do que a primeira porque mutações do vírus fazem cada paciente infectar muito mais pessoas do que antes, dizem epidemiologistas e médicos.

Por Redação, com Reuters – de Nova Délhi

A segunda disparada de casos de covid-19 na Índia está sobrecarregando os hospitais muito mais rápido do que a primeira porque mutações do vírus fazem cada paciente infectar muito mais pessoas do que antes, dizem epidemiologistas e médicos.

Hospital Lok Nayak Jai Prakash, em Nova Dhéli

As infecções diárias da Índia aumentaram mais de 20 vezes e passaram de 200 mil nesta quinta-feira depois de atingirem uma baixa de muitos meses no início de fevereiro, mas o governo minimiza o papel das mutações no aumento mais recente, o pior deste mês em qualquer local.

O país mais atingido do mundo depois dos Estados Unidos relatou cerca de 950 casos de pessoas que contraíram as variantes detectadas primeiramente no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil.

– A questão é que estas variantes preocupantes ainda não estão em destaque nos debates – disse o epidemiologista Rajib Dasgupta, da Universidade Jawaharlal Nehru, de Nova Délhi.

– Mesmo que seja uma variante nova, você tem que fazer as mesmas coisas” para controlá-la e tratar pacientes, “mas é preciso uma urgência diferente para reconhecer isto – disse.

Médicos do Instituto de Ciências Médicas, de Nova Délhi, descobriram que agora um paciente está infectando 9 de 10 contatos, no ano passado eram até quatro.

Reino Unido

Cientistas do Reino Unido dizem que a variante B.1.1.7, conhecida amplamente como a mutação britânica, é 70% mais transmissível do que variantes anteriores e muito mais letal.

Punjab, Estado do norte indiano que relata uma das taxas de mortalidade mais altas do país, informou no final do mês passado que 81% de 401 amostras de covid-19 que enviou para sequenciamento genômico eram da variante britânica.

– Este vírus é mais infeccioso e virulento – disse Dhiren Gupta, consultor sênior do Hospital Sir Ganga Ram de Nova Délhi.

– Mais crianças estão relatando febre alta do que no ano passado. Temos pessoas de 35 anos com pneumonia no tratamento intensivo, o que não estava acontecendo no ano passado.

A Índia acumula 14,1 milhões de infecções e 173.123 mortes no total.

O governo atribui o grande aumento de casos principalmente a uma relutância no uso de máscaras e a aglomerações.

Mesmo assim, recusou-se a cancelar uma reunião em massa de devotos hindus para um festival, e seus ministros estão discursando para dezenas de milhares de pessoas majoritariamente sem máscaras em comícios eleitorais.