Vélez, enfim, acaba demitido por Bolsonaro, que nomeia Weintraub

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Publicado segunda-feira, 8 de abril de 2019 as 13:29, por: CdB

O novo ministro terá como missão debelar a crise de gestão por que passa a pasta da Educação, uma das mais importantes da Esplanada dos Ministérios.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta segunda-feira a demissão de Ricardo Vélez do cargo de ministro da Educação e anunciou o economista e professor universitário Abraham Weintraub para ocupar o posto, numa tentativa para debelar uma crise que perdura desde o início do governo.

Ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, durante reunião em Campos do Jordão, SP

– Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao prof. Vélez pelos serviços prestados – disse Bolsonaro em publicação no Twitter.

A demissão de Vélez, colombiano naturalizado brasileiro, já era esperada, após Bolsonaro ter afirmado em entrevista na sexta-feira que o ministro poderia não continuar no posto.

Bolsonaro reuniu-se com Vélez em um encontro na manhã desta segunda-feira que não foi divulgado na sua agenda oficial.

Weintraub ocupava até o momento o cargo de secretário-executivo na Casa Civil. Ele se ligou ao governo eleito ainda na época da transição.

O novo ministro terá como missão debelar a crise de gestão por que passa a pasta da Educação, uma das mais importantes da Esplanada dos Ministérios.

Desde o início de janeiro, uma briga entre alas no ministério, a ligada ao ideólogo do governo Olavo de Carvalho, e a dos militares, levou ao todo a 15 demissões de postos-chave. Na semana passada, foram demitidos os dois últimos integrantes do ministério ligados a Vélez.

Ações importantes do governo têm ficado em segundo plano, como a falência da gráfica responsável por imprimir as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e problemas no ingresso da faculdade de estudantes que são financiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O próprio Vélez se envolveu pessoalmente em polêmicas ao chegar a defender publicamente a revisão de livros didáticos de história para contar o que considera a história real do golpe de Estado de 1964.

O novo ministro é professor da Universidade Federal de São Paulo, tendo atuação como executivo no mercado financeiro por mais de 20 anos de experiência, com passagens por instituições como o Banco Votorantim.

Em nota, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, elogiou o ex-auxiliar e agora titular da Educação.

– Professor Abraham Weintraub é um homem com uma sólida formação. Economista, conhece gestão, é professor concursado da Universidade Federal de São Paulo e conhece a iniciativa privada – afirmou Onyx. “Foi uma das pessoas que muito cedo acreditou na candidatura de Jair Bolsonaro.”

– O presidente ganha com um ministro capaz, um aliado leal, um administrador competente e honesto que sabe que a educação brasileira precisa ser transformada para verdadeiramente ser o caminho para que crianças e adolescentes possam construir uma vida melhor para si e para suas famílias – acrescentou.

Vélez é a segunda baixa no primeiro escalão de Bolsonaro, em menos de 100 dias de governo.

Em fevereiro, Gustavo Bebianno, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência e que havia presidido o PSL, partido de Bolsonaro, durante a campanha eleitoral, foi demitido após ser o personagem principal de uma crise que se arrastou por uma semana, depois de ter sido chamado de mentiroso pelo filho do presidente, o vereador fluminense Carlos Bolsonaro (PSC).

Novo ministro da Educação

Pela trajetória profissional do novo ministro não se tem registro de uma contribuição concreta para a educação brasileira e nem mesmo alguma atuação na área.

– O novo ministro tem um vasto currículo no mundo dos negócios. Torço que respeite a natureza gratuita e laica da educação pública brasileira – disse a vice-líder da Minoria da Câmara dos Deputados, Alice Portugal (PCdoB-BA).

– Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao professor Velez pelos serviços prestados – afirmou Bolsonaro.

Apesar do cargo de professor da Universidade de São Paulo (USP), em 1994, ele atuou mesmo no mercado financeiro por 20 anos.

Segundo um perfil levantado pelo Valor Econômico de novembro do ano passado, quando seu nome estava cotado na transição para secretário executivo da Casa Civil, Weitarub havia sido sócio na Quest Investimentos, diretor do Banco Votorantim, membro do comitê de trading da BM&F Bovesp, conselheiro da Ancord e representou a Votorantim no Fundo Monetário.

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