Vieira de Mello: ‘Ataques no Iraque não partem da população civil’

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Publicado terça-feira, 8 de julho de 2003 as 18:41, por: CdB

A ONU teve uma participação “muito ativa” no processo de criação de um Conselho de Governo integrado por iraquianos, segundo o enviado especial da ONU para o Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Na entrevista, o brasileiro também menciona os muitos ataques sofridos pelos soldados americanos no Iraque.

– Efetivamente, há uma exasperação da população urbana porque a insegurança perdura e faltam serviços públicos – afirma Vieira de Mello, para quem os autores dos ataques não fazem parte da população civil.

Em sua opinião, trata-se de “grupos minoritários que representam o antigo regime, provavelmente ex-militares que atuam sem coordenação”.

– Não há nenhuma prova de que façam parte de uma resistência ativa – disse.

– Não tivemos nenhum papel na eleição dos conselhos municipais, mas fomos muito ativos no processo de criação do Conselho de Governo e, especialmente, na definição de suas comissões – afirmou Vieira de Mello em uma entrevista que será publicada nesta quarta-feira no diário francês Le Figaro.

O representante especial da ONU explica que esse órgão terá “uma autoridade executiva” e que o trabalho das Nações Unidas “foi muito ativo em sigilo para influir nessa decisão”.

Vieira de Mello destaca que, desde sua chegada ao Iraque, tem havido “um compromisso profundo de todos os partidos políticos iraquianos com a unidade e integridade territorial do país” e para que os próprios iraquianos retomem o poder sobre seu destino.

– Estou convencido de que saberão tomar decisões unânimes – acrescenta, a respeito do Conselho de Governo, cuja criação foi anunciada recentemente pelo chefe da Administração Provisória americano do Iraque, Paul Bremer.

Bremer disse que esse órgão terá “verdadeiras atribuições”, como convocar uma Assembléia Constituinte, “que preparará o caminho para a realização de eleições democráticas”.