Violência acompanha os colombianos na reta final das eleições

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Publicado domingo, 22 de maio de 2022 as 12:21, por: CdB

Para muitos analistas, o medo por parte de sua equipe de segurança não é um incidente isolado, seja porque as ameaças ao candidato são reais, os comunicados existem, ou devido à história de assassinatos de candidatos presidenciais no país cafeeiro, pelo menos cinco nas últimas quatro décadas.

Por Redação, com BdF – de Bogotá

A uma semana das eleições presidenciais, a Colômbia enfrenta uma complexa disputa eleitoral na qual o candidato progressista Gustavo Petro (Pacto Histórico) lidera as pesquisas, o ambiente permanece conflagrado. Foi marcante quando, em 2 de maio, ele foi obrigado a suspender suas atividades de campanha devido a ameaças de morte.

Gustavo Petro
Candidato da centro-esquerda colombiana, Gustavo Petro teve sua vida ameaçada por milícias armadas

— É lamentável que tenha tido que suspender a minha turnê no Eixo cafeeiro. A iniciativa dos setores de corrupção de pagar quadrilhas de assassinos para me eliminar fisicamente mostra o desespero político a que chegaram — denunciou o candidato sobre um suposto plano do grupo paramilitar “La Cordillera” identificado por sua equipe de segurança. Esse possível ataque ameaçou sua turnê pelo noroeste do país, uma região onde ‘La Cordillera’ controla o negócio do tráfico de drogas e é responsável por várias intimidações.

Para muitos analistas, o medo por parte de sua equipe de segurança não é um incidente isolado, seja porque as ameaças ao candidato são reais, os comunicados existem, ou devido à história de assassinatos de candidatos presidenciais no país cafeeiro, pelo menos cinco nas últimas quatro décadas.

Memória

Se Petro e sua companheira na corrida, Francia Márquez, que também recebeu ameaças de morte, chegassem à Casa de Nariño (Palácio do Governo), seria a primeira vez que um partido progressista assumiria o comando do Estado. A memória mais simbólica é a de Jorge Eliécer Gaitán, que deveria ser um candidato forte para vencer as eleições de 1949, mas cuja participação foi cortada depois de ter sido assassinado em 9 de abril de 1948.

Por esta razão, o governo colombiano foi forçado a mobilizar todo um esquema de segurança do tipo G, envolvendo um número indeterminado de policiais e agentes especiais, além de veículos blindados, polícia de motocicletas, cães detectores de explosivos, ambulância e até franco-atiradores para guardar a segurança do candidato durante o restante de sua campanha eleitoral.

O aumento da violência no país tomou forma desde os primeiros meses do ano, com um incidente particular em Arauca, um departamento limítrofe da Venezuela, que até abril registrou pelo menos 146 homicídios e o deslocamento forçado de pelo menos 38 pessoas por dia, de acordo com dados da Defensoria do Povo.

Ex-combatentes

Além disso, um relatório apresentado pela Missão de Observação Eleitoral (MOE), uma plataforma de organizações da sociedade civil, indica que pelo menos 131 municípios em quase todas as regiões apresentam algum nível de risco de fraude ou violência no contexto eleitoral, sendo Arauca uma das regiões de maior preocupação a esse respeito.

Na outra ponta, os assassinatos de líderes sociais e defensores dos direitos humanos não cessaram no território. Até o presente ano, foram registrados pelo menos 59 assassinatos, entre estes 17 ex-combatentes que assinaram os Acordos de Paz. Além disso, houveram 36 massacres em todo o país, de acordo com números do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Paz (Indepaz).

O já alarmante contexto eleitoral foi agravado pela “Greve Armada” entre 4 e 8 de maio, que resultou em cerca de 24 homicídios, bem como a queima de cerca de 118 veículos para bloquear estradas, de acordo com dados da Unidade de Investigação e Acusação (UIA) da Jurisdição Especial para a Paz (JEP). O graffiti alusivo ao grupo armado Clã do Golfo (Autodefensas Gaitanistas) também foi visto em vários dos 178 municípios afetados.

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