A violência das ruas invadiu as escolas

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Publicado quarta-feira, 5 de junho de 2019 as 10:06, por: CdB

O que aconteceu num escola da rede pública estadual em Carapicuíba, na Grande São Paulo, é o retrato do desgoverno Bolsonaro. Mostra o descaso do presidente para com a educação ao eleger as professoras e professores como inimigos, além de defender projetos de censura e repressão aos docentes.

Por Francisca Rocha – de São Paulo

Cada dia que passa fica mais perigoso ser professora ou professor no Brasil. A violência sai das ruas e entra para as escolas. Tanto os profissionais da educação, quanto os estudantes não contam com nenhuma proteção do Estado. As escolas estão praticamente abandonadas e tudo recai sobre os ombros das professoras e professores.

Cada dia que passa fica mais perigoso ser professora ou professor no Brasil

Os números são estarrecedores. Um levantamento feito pela GloboNews, através da Lei de Acesso à Informação, mostra um crescimento de 72,9% nas agressões aos profissionais da rede estadual paulista de 2017 para 2018. Foram 434 agressões no ano passado contra 251 em 2017. O que já era exorbitante ficou ainda pior.

Isso acontece pelo descaso total com o serviço público, com a educação e com o ser humano. Valoriza-se números e obras, não se dá nenhum valor para o conhecimento, para a cultura. A desvalorização da educação vem numa onda crescente como golpe de Estado de 2016. Porque o objetivo do neoliberalismo é entregar as escolas para os barões da educação, acabando com a educação pública.

Com Jair Bolsonaro na Presidência, a ofensiva conservadora contra a liberdade de cátedra e o direito constitucional da infância e da juventude em aprender se intensificam. Com tática nazista as professoras e professores viraram alvo de ataques dos bolsonaristas, principalmente dos que querem abocanhar esse quinhão do mercado.

E quem paga o pato são os profissionais da educação. Obrigados a trabalhar em duas, três escolas para receber um salário que dê ao menos para pagar as contas no fim do mês, as trabalhadoras e trabalhadores dessa área tão vital para o desenvolvimento de qualquer nação que almeje a soberania e a independência se veem na berlinda sofrendo agressões de pessoas interessadas em acabar com a liberdade e tirar a juventude da escola, essencialmente a juventude pobre.

O levantamento da GloboNews mostra que o menor número de agressões a professoras e professores da rede estadual paulista acontecem em 2015, com 188 casos e o maior em 2018, de acordo com o Registro de Ocorrência Escolar (ROE). Isso que comprova que os cortes nos investimentos na área e o sucateamento das escolas deixam vulneráveis as trabalhadoras e trabalhadores em educação e os estudantes.

Um estudo, de 2016, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) denuncia que 50% do corpo docente de São Paulo e 51% do de Porto Alegre já relataram terem sofrido algum tipo de agressão.

Essa pesquisa mostra também que 53% das escolas particulares e 65% das públicas não tomam as medidas necessárias para evitar a violência e proteger docentes e alunos. Tanto Bolsonaro quando o governador de São Paulo, João Doria visam acabar com a educação pública, tirando a responsabilidade constitucional do Estado em educar as crianças e jovens.

Com isso, elitizam ainda mais o ensino e tiram o sonho das filhas e filhos da classe trabalhadora em melhorar de vida pelos estudos. Pior que isso, potencializa a ignorância para facilitar a dominação de uma elite torpe, que odeia o Brasil e mira nos Estados Unidos como sonho de consumo.

Francisca Rocha , é Secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), secretária de Saúde da Confederação Nacionaldo Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB-SP).

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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