Visita do ministro Fischer a Israel é cancelado

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 14:18, por: CdB

A visita do ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, a Israel – a primeira de um alto funcionário europeu desde a instalação do novo governo de Ariel Sharon, no mês passado – teve um início turbulento nesta segunda-feira, quando o ministro da Justiça do Estado judeu cancelou uma reunião com o visitante por meio de uma breve nota.

Yosef Lapid, ministro da Justiça de Israel, cancelou o encontro devido a “disputas com relação ao local” onde seria realizado, disse um porta-voz.

Lapid exigia que Fischer o visitasse em seu gabinete em Jerusalém Oriental, a porção da cidade sagrada capturada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado independentee soberano.

Quando a recusa de Fischer foi informada, Lapid cancelou a reunião, disse Tazhi Moshe, porta-voz do ministro israelense. “A Alemanha não ditará onde Israel tem ou deixa de ter soberania em Jerusalém”, esbravejou Moshe.

A Embaixada da Alemanha informou não ter sido notificada sobre o cancelamento e diz que a reunião ainda está prevista para ocorrer na próxima terça-feira em Jerusalém Ocidental.

O porta-voz de Lapid descartou sugestões de que o ministro estaria causando deliberadamente um incidente diplomático. “Fomos notificados que, de acordo com o protocolo, Fischer deveria visitar o ministro em seu gabinete”, disse Moshe.

Fischer tem reuniões previstas com líderes israelenses e palestinos. Espera-se que o chamado “roteiro para a paz” seja o assunto dominante dos encontros.

Estados Unidos, Rússia, União Européia (UE) e Organização das Nações Unidas (ONU) – o chamado “Quarteto” de mediadores do Oriente Médio – entregaram aos israelenses e palestinos diversas versões provisórias do plano para análise.

Recentemente, autoridades norte-americanas e britânicas avisaram que o último rascunho terá de ser aceito conforme foi redigido.

No último domingo (6), no entanto, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon disse a seu gabinete que quer fazer 15 alterações no documento.

Estados Unidos e Grã-Bretanha garantem que as diretrizes serão anunciadas assim que o recém-indicado primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, conseguir a ratificação de seu governo pelo Parlamento, o que deve ocorrer este mês.

Apesar de Israel ter recebido com satisfação as notícias da visita de Fischer, que é popular no Estado judeu e é considerado um amigo, uma segunda rusga surgiu após ter sido aventada a possibilidade de um encontro entre ele e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat.

Tanto Israel quanto os Estados Unidos declararam Arafat “persona non-grata” e pressionaram para o surgimento de líderes alternativos. Líderes da UE, no entanto, consideram Arafat um representante legítimo do povo palestino.

“Não temos o direito de dizer ao ministro de Exterior alemão com quem ele deve ser reunir ou não. Porém, ele está ciente de nossa opinião (sobre reunir-se com Arafat), que é muito clara”, disse Jonathan Peled, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

UE

A União Européia (UE) criticou nesta segunda-feira uma ofensiva do Exército de Israel contra a Cisjordânia como equivalente a uma “punição coletiva” aos palestinos. “A presidência da UE está particularmente preocupada com as operações israelenses em Tulkarem”, uma cidade da Cisjordânia, dizia o comunicado.

O documento foi divulgado pelo governo da Grécia, atual ocupante da presidência rotativa da UE. “Esse tipo de operação é inaceitável, pois a população de toda uma cidade é mantida sob toque de recolher e até mesmo escolas são ocupadas. Isso toma a forma de punição coletiva e apenas alimenta o ódio e a violência”, diz o comunicado.

E acrescenta: “Nós compreendemos que Israel tem a necessidade de proteger seus cidadãos, mas estamos convencidos de que isto só será obtido com eficácia por meio da implementação imediata, recíproca e paralela, pelas duas partes, de um roteir