Viúva de Marielle critica falta de transparência das investigações

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Publicado quarta-feira, 30 de outubro de 2019 as 14:25, por: CdB

Passado um ano e sete meses do crime, Mônica Benício ainda não conseguiu ter acesso ao processo em nenhuma instância.

Por Redação, com RBA – do Rio de Janeiro

A viúva da vereadora Marielle Franco (Psol), Mônica Benício, emitiu nota na manhã desta quarta-feira criticando a falta de transparência do poder judiciário, frente as revelações feitas na terça pelo Jornal Nacional, de que Élcio Queiroz, um dos suspeitos de assassinar a parlamentar, teria sido autorizado a entrar no condomínio Vivendas da Barra, onde mora o presidente Jair Bolsonaro, com autorização de “seu Jair”. “É preciso dizer que, nos últimos dias, mais uma vez, fui surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa. Informações cujo acesso me é negado sob a justificativa de que as investigações correm sob segredo de Justiça”, afirmou.

Marielle foi assassinada há um ano e sete meses e, até hoje, a viúva dela, Mônica Benício, não teve acesso ao processo
Marielle foi assassinada há um ano e sete meses e, até hoje, a viúva dela, Mônica Benício, não teve acesso ao processo

A revelação, que pode associar o nome Bolsonaro ao crime, foi feita pelo porteiro do condomínio. Segundo seu relato, em 14 de março de 2018, dia do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes, Élcio teria entrado no condomínio Vivendas da Barra, pedindo para ir à unidade 58, onde mora Jair Bolsonaro. Segundo o trabalhador, “seu Jair” teria atendido o interfone autorizando a entrada, mas o carro de Élcio Queiroz teria se dirigido à casa de Ronaldo Lessa, suposto autor da execução. O vigia, segundo o depoimento, ligou novamente para a casa de Bolsonaro para perguntar sobre o destino do visitante e “seu Jair” disse que “sabia para onde Élcio estava indo”.

– Nesse momento, só me cabe dizer que espero que todas as instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo. Os responsáveis devem ser identificados e devidamente responsabilizados pelo que fizeram para que nunca mais algo parecido possa voltar a ocorrer nesse país. Em nome de todo o amor que sinto por Marielle e respeito que tenho à democracia do meu país, a única coisa que espero das autoridades brasileiras é justiça – disse Mônica.

A viúva de Marielle diz ainda que o esclarecimento do caso é fundamental porque o crime feriu o direito à vida e a democracia. E que tem se dedicado, desde o início, a acompanhar o caso de perto, mas que todas suas solicitações para acesso aos processos abertos lhe são negadas.

Informações

– A mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Defendo que o processo ocorra de maneira segura, comprometido com a verdade dos fatos, mas que seja de forma transparente, com respeito ao direto de acesso da família. De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar. Além de muito doloroso, é inaceitável e inconstitucional que à família seja negado o direito de acompanhar integralmente a apuração deste caso, ao mesmo tempo que a sociedade brasileira e o mundo exigem uma resposta – afirmou.

A resposta que Mônica espera parece assustar Bolsonaro. Cerca de meia hora depois da reportagem, o presidente fez uma live em sua página no Facebook.

Durante 23 minutos, visivelmente descontrolado, o presidente atacou a Globo e mais de uma vez mencionou o fato de que a TV terá de renovar sua concessão em 2022. Falou em perseguição e usou várias vezes o termo “patifaria” para se referir à Globo. E, embora a reportagem não mencionasse nenhum de seus filhos, disse que querem prender um deles. “Quando prender um filho meu, vão estar satisfeitos”, afirmou a viúva de Marielle.

 

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