Volta às aulas presenciais sem segunda dose é criticada por professores em Curitiba

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Publicado quinta-feira, 5 de agosto de 2021 as 11:17, por: CdB

Diante da tensão que a pandemia ainda traz para a comunidade escolar, professores relatam falta de condições de escolas para garantir segurança sanitária e denunciam falta de diálogo da gestão municipal.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

As 415 unidades da rede municipal de ensino de Curitiba (185 escolas e 230 Centros Municipais de Educação Infantil) reabriram na última segunda para receber crianças e estudantes do ensino híbrido (presencial + videoaulas). Diante da tensão que a pandemia ainda traz para a comunidade escolar, professores relatam falta de condições de escolas para garantir segurança sanitária e denunciam falta de diálogo da gestão municipal.

Volta às aulas expõe falta de segurança sanitária de escolas da rede municipal de Curitiba (PR)

O retorno às aulas presenciais acontece uma semana depois que a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná confirmou a transmissão comunitária da variante Delta do coronavírus. Além disso, grande parte dos professores que estará nas escolas ainda não recebeu a segunda dose das vacinas. Além da insegurança, profissionais da educação relatam condições precárias das escolas, além de metodologia em cima da hora do retorno.

Para a professora e diretora de escola Claudia Simoni da Silva Ativo Costa, a prefeitura poderia ter aguardado que profissionais da educação recebessem a segunda dose da vacina. “A maioria receberá a segunda dose na metade de setembro. Poderíamos retornar, sem prejuízo, em outubro. Apesar de a mantenedora dizer que em Curitiba os casos estão diminuindo, temos ocorrências de pessoas infectadas nas escolas.” Claudia enfatiza que não existe segurança sanitária para receber todos os alunos. “Somos uma categoria que trabalha com muitas pessoas ao mesmo tempo. Temos turmas de 35 alunos dentro de salas de 30 metros quadrados”, diz.

Outra professora, que não quis ser identificada, também relata que as escolas não estão preparadas. “A Secretaria de Educação fala de algo ideal, mas que não é a realidade das escolas. Grande parte delas não tem ventilação adequada, há problema de falta de água por causa do racionamento. Ou seja, depois de mais de um ano de pandemia, as estruturas se mantêm as mesmas.”

O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal (Sismmac) já havia denunciado a falta de estrutura em junho. “No CMEI José Carlos Pisani, no Tatuquara, houve a interrupção do fornecimento de água em todo o bairro, que também atingiu o CMEI. Então, o dia de volta às aulas começou sem água para seguir o protocolo de higiene. Nem mesmo os equipamentos de proteção individual (EPIs) prometidos pela gestão, como máscara e faceshield, foram entregues aos trabalhadores do CMEI”, informou a nota do sindicato.

A professora Luciana Kopsch, diretora do Sismmac, conta que houve reunião presencial com a Secretaria Municipal de Educação em 23 de junho. “Deixamos claro que, para nós e a categoria, o retorno deveria acontecer daqui um mês, por causa da segunda dose da vacina, principalmente devido à confirmação da nova variante do vírus.” Luciana ressaltou que as condições das escolas municipais ainda não são seguras. “São espaços muito propícios para contaminação. Além disso, já fizemos teste dos EPIs distribuídos pela prefeitura e eles não atendem aos padrões de segurança sanitária divulgados pelos órgãos da saúde. Também cobramos as máscaras N95 e PFF2, mas nos disseram que não eram necessárias”, relata.

Regras mudam um dia antes do retorno

Outro agravante, segundo a professora Diana Abreu, é a falta de organização e diálogo da gestão da Secretaria Municipal de Educação, que mudou o cronograma das aulas presenciais um dia antes do reinício. “Em 17 de julho, a secretaria comunicou a todas as equipes pedagógicas que teríamos um modelo híbrido no retorno em agosto, e alunos iriam uma semana presencialmente. Para os professores, haveria escalonamento, não sendo necessário todos na escola ao mesmo tempo. As equipes pedagógicas e direções se preparam para essa forma e comunicaram alunos e pais. Porém, na sexta, 30, recebemos um comunicado que as regras haviam mudado, alterando para duas semanas presenciais e convocando todos os professores para estarem na escola,” explicou.

O que diz a Secretaria

Em nota ao Brasil de Fato, a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação afirma que “a orientação é manter as janelas abertas, para garantir a ventilação dos ambientes. Em relação aos EPIs, a Secretaria Municipal da Educação investiu já cerca de R$ 2 milhões na aquisição de itens para prevenção ao novo coronavírus e produtos de limpeza destinados a toda a rede municipal de ensino. A mudança do escalonamento só foi anunciada na sexta-feira porque, conforme anunciado desde o início do mês, até o dia 30 estava sendo feito o monitoramento das unidades.”

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