“Vou continuar calado sobre esse assunto”, diz Bolsonaro sobre PSL

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Publicado quarta-feira, 16 de outubro de 2019 as 11:27, por: CdB

Na terça-feira, a Polícia Federal (PF) deflagou a Operação Guinhol, que teve como alvo o presidente do partido, Luciano Bivar.

Por Redação, com ABr e Agências de Notícias – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira, ao sair do Palácio da Alvorada, que não falará nada sobre a crise e possível da saída do PSL. Bolsonaro criticou as especulações da imprensa brasileira em torno do assunto.

– Eu não tenho falado sobre esse assunto, não justifica [dizerem] que eu estou tumultuando a relação com o partido, que estou dividindo. Eu estou calado e vou continuar calado sobre esse assunto – disse.

Segundo Jair Bolsonaro o que interessa no momento é a transparência sobre as contas da sigla
Segundo Jair Bolsonaro o que interessa no momento é a transparência sobre as contas da sigla

Ainda de acordo com o presidente neofascista, o que interessa no momento é a transparência sobre as contas da sigla. Na última sexta-feira, ele e mais 21 parlamentares do partido requereram ao diretório nacional informações sobre onde os recursos do Fundo Partidário do PSL estão sendo empregados.

– O partido está com a oportunidade de se unir na transparência, não tem o lado A ou lado B – disse.

– Então, vamos mostrar as contas e não ficar, como vemos notícias por aí, de expulsa de lá, tira da comissão, vai retaliar… O partido tem que fazer a coisa que tem que ser feita, normal, não tem que esconder nada. Eu não quero tomar partido de ninguém, agora transparência faz parte, o dinheiro é público, R$ 8 milhões por mês – acrescentou.

Operação da PF atinge Luciano Bivar

Na segunda-feira, a Polícia Federal (PF) deflagou a Operação Guinhol, que teve como alvo o presidente do partido, Luciano Bivar. De acordo com a polícia, a suspeita é que os integrantes do PSL teriam “ocultado/disfarçado/omitido movimentações de recursos financeiros oriundos do Fundo Partidário, especialmente os destinados às candidaturas de mulheres, após verificação preliminar de informações que foram fartamente difundidas pelos órgãos de imprensa nacional”.

O advogado de Bivar, Ademar Rigueira, divulgou nota em que afirma que o inquérito que investiga as suspeitas de uso indevido dos recursos do Fundo Partidário já se estende há dez meses, sem que, segundo ele, as autoridades tenham encontrado indícios de fraude no processo eleitoral. No início do mês, o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais também denunciou 11 pessoas por crimes envolvendo candidaturas-laranja do PSL no estado em 2018.

Após ter eleito a segunda maior bancada de deputados federais, em 2018, e obter o maior número de votos entre todos os eleitores do país, o PSL passou a ter direito à maior fatia de recursos do Fundo Eleitoral, estimada em cerca de R$ 400 milhões para o próximo pleito, no ano que vem, que vai eleger prefeitos e vereadores.

Pedido à Justiça

Investigadores da Polícia Federal (PF) e o promotor Alfredo Pinheiro Martins Neto, da Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco, pediram à Justiça Eleitoral autorização para realizar buscas e apreensões em endereços residenciais e comerciais do presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar, 48 dias antes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PE) autorizar a deflagração da Operação Guinhol.

A primeira petição, apresentada em 27 de agosto, foi indeferida pela juíza da 6.ª Zona Eleitoral, Maria Margarida de Souza Fonseca, em 3 de setembro de 2019. Segundo a Procuradoria Regional, após o indeferimento do pedido em primeira instância, restou ao Ministério Público Eleitoral recorrer ao Plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRF), o que foi feito em 14 de outubro de 2019.

No mesmo dia, seis dos sete juízes do TRE autorizaram a realização de buscas e apreensões de documentos em endereços de Bivar e de outras pessoas investigadas por possíveis crimes eleitorais. O inquérito que tramita na 6.ª Zona Eleitoral do Recife apura a suspeita de que, nas últimas eleições, o diretório pernambucano do Partido Social Liberal (PSL) lançou candidaturas femininas apenas para cumprir o requisito legal de 30% de mulheres candidatas. A suspeita mais grave, contudo, é que os recursos que deveriam ser destinados às campanhas podem ter sido desviados para outros candidatos.

Em nota, a Procuradoria Regional Eleitoral afirma que o tempo à espera da autorização judicial para realização das buscas e apreensões de eventuais provas que ajudem a esclarecer os fatos demonstram que a ação “não tem relação com divergências partidárias”, nem teve “interferência de órgãos ou autoridades estranhas ao Ministério Público Eleitoral, ao Departamento de Polícia Federal e à Justiça Eleitoral”.

“Como costuma ocorrer em pedidos de busca e apreensão, o requerimento e o recurso tramitaram em sigilo, para assegurar eficácia da diligência”, acrescenta a Procuradoria Regional Eleitoral, em resposta às críticas da defesa do deputado Luciano Bivar.

Crise

Apesar das declarações mais moderadas do presidente Jair Bolsonaro sobre o PSL no fim de semana, a crise com o partido se mantém e o próprio presidente dá sinais de que não pretende conversar, como pedem alguns moderados da legenda, e negocia uma saída da sigla.

Na segunda-feira, Bolsonaro se reuniu novamente com sua advogada, Karina Kufa, e o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. Ambos buscam uma solução jurídica para que parte dos deputados do PSL, insatisfeitos com a condução do presidente da sigla, Luciano Bivar, possam deixar a legenda sem perder o mandato. Procurados, nenhum dos dois advogados atendeu a Reuters.

O presidente também recebeu parte dos deputados do grupo rebelde, entre eles Filipe Barros (PR) e Bia Kicis (DF), que não chegaram a conversar com a imprensa na saída. De acordo com a deputada Alê Santos (MG), o partido está ainda esperando uma resposta da direção do PSL sobre um pedido de auditoria as finanças partidárias feito na semana passada.

Crise

Apesar das declarações mais moderadas do presidente Jair Bolsonaro sobre o PSL no fim de semana, a crise com o partido se mantém e o próprio presidente dá sinais de que não pretende conversar, como pedem alguns moderados da legenda, e negocia uma saída da sigla.

Na segunda-feira, Bolsonaro se reuniu novamente com sua advogada, Karina Kufa, e o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. Ambos buscam uma solução jurídica para que parte dos deputados do PSL, insatisfeitos com a condução do presidente da sigla, Luciano Bivar, possam deixar a legenda sem perder o mandato. Procurados, nenhum dos dois advogados atendeu a Reuters.

O presidente também recebeu parte dos deputados do grupo rebelde, entre eles Filipe Barros (PR) e Bia Kicis (DF), que não chegaram a conversar com a imprensa na saída. De acordo com a deputada Alê Santos (MG), o partido está ainda esperando uma resposta da direção do PSL sobre um pedido de auditoria as finanças partidárias feito na semana passada.

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