Vox Populi: eleição de 2022 será verdadeiro desafio da esquerda

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Publicado segunda-feira, 30 de novembro de 2020 as 13:48, por: CdB

Segundo Marcos Coimbra, do Vox Populi, dentro de dois anos ocorrerá de fato “a eleição em que pode haver uma retomada, uma reconquista de espaço do pensamento progressista”.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Uma vez encerrada a votação do segundo turno das eleições municipais, uma vez conhecidos os resultados, o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, avaliou que a importância de 2020 no calendário eleitoral do país é relativa.

O sociólogo Marcos Coimbra avalia o desempenho da esquerda, nas últimas eleições
O sociólogo Marcos Coimbra avalia o desempenho da esquerda, nas últimas eleições

— A verdadeira eleição é a de 2022 (quando se realizam as eleições presidenciais, para os governos estaduais e para o Congresso Nacional) — disse o executivo, a jornalistas.

Segundo afirmou, dentro de dois anos ocorrerá de fato “a eleição em que pode haver uma retomada, uma reconquista de espaço do pensamento progressista”.

Coimbra, no entanto, afirma que não se pode menosprezar a importância do pleitos de 2020. Para ele, houve um conjunto de fatores que limitaram o significado das eleições encerradas neste domingo. Por isso, minimizou o desempenho dos partidos do campo progressista.

— A esquerda não pode se cobrar muito, avaliar-se em função do desempenho de 2020. A opinião pública não estava preparada, não houve espaço para manifestação nas ruas, a limitação de tempo de TV foi drástica — disse.

Desmoralizado

Apesar da importância da eleição em São Paulo e das expectativas que se criaram em torno de uma possível vitória de Guilherme Boulos (PSOL), o destaque não seria nem mesmo uma eventual virada do candidato que uniu a esquerda na capital paulista.

— O importante não era ele virar, mas é que Bolsonaro saiu desmoralizado e derrotado da eleição. Esse é o grande resultado — avaliou.

Coimbra também relativiza a importância da vitória do chamado ‘Centrão’ nas eleições. Desde o primeiro turno, o bloco informal do Congresso Nacional – com destaque para PP, PSD e DEM – foi considerado vencedor do pleito por diversos analistas.

— A vitória, entre aspas, do ‘Centrão’ não significa nada. O ‘Centrão’ não existe como partido. É apenas um ajuntamento de políticos que dão apoio a quem quer que vença a eleição presidencial. Apoiaram Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. O que é o PP? Nada. O que é o PSD do Kassab? Outro nada. E esses partidos com esses nomes esquisitos que surgiram, Podemos, Avante, Republicanos? Nada. Eles vão com quem ganhar a eleição em 2022. Bolsonaro perdeu espaço, liderança, perdeu condições morais, e ficou com cara de bobo. Esse é o grande resultado da eleição — acrescentou o presidente do Vox Populi.

Boulos se projeta

Logo após o resultado das urnas, Guilherme Boulos adiantou que pretende trabalhar, doravante, “para que o que a gente conseguiu construir e unir aqui em São Paulo sirva de inspiração para o Brasil, para derrotar o atraso e o autoritarismo”. Logo após o primeiro turno, analistas já consideravam que, mesmo não vencendo o segundo, Boulos havia conquistado o cenário nacional, ao chegar à disputa final contra o tucano na maior capital do Brasil.

Segundo o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, presidente do PSB até 2014, Boulos “se consagra como liderança nacional”. Em 2020, na avaliação de Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, consolidou-se um cenário com três frentes políticas: o bolsonarismo, o Centrão, e a esquerda, com a liderança do PT.

— Mas a esquerda agora é mais multicêntrica, com Psol e PCdoB disputando importantes capitais — afirmou o ex-ministro.

Para o também cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) Vitor Marchetti, as eleições municipais de 2020 abriram espaço para o surgimento de novos lideres de esquerda. Apesar da derrota nas urnas, nomes como Guilherme Boulos (Psol), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Marília Arraes (PT) oxigenam a luta progressista.

Covas e Doria

Para o especialista, a esquerda, agora, tem a missão de se reorganizar e se fortalecer por meio desse novo cenário.

— Na esquerda, surgiram novas lideranças nas eleições, depois de uma década só de lideranças já consolidadas, como o ex-presidente Lula sendo um norte organizador. Agora, é uma nova fase e que tem uma multiplicidade, mas com líderes ainda regionais, que o campo progressista precisará construir nos próximos anos — projeta.

Ao analisar a vitória de Bruno Covas (PSDB), em São Paulo, o cientista político afirma que os tucanos se consolidaram como um partido paulista, após decair em outras regiões. Governando o estado e a capital, o PSDB pode ganhar projeções nacionais, na avaliação de Marchetti, que discorda do fortalecimento do governador João Doria.

— Essa vitória do Covas tem uma margem maior do que as pesquisas, então foi importante. Porém, eu discordo das análises que cacifam o Doria, porque a vitória do Covas se deu a despeito do Doria. Por isso ele escondeu o governador de sua campanha. No discurso de vitória, o prefeito disse que representava o fim da polarização, mas com o Doria do lado, que construiu o discurso de ódio em 2018 — explicou.