Wagner compara atual período ao golpe militar de 64 no Brasil

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Publicado quarta-feira, 11 de abril de 2018 as 16:47, por: CdB

Para Wagner, há uma tentativa de “interditar” a presença de Lula na eleição de outubro, o que, em sua opinião, é uma “tentativa de interditar a democracia brasileira”.

 
Por Redação, com Reuters – de Brasília

 

O ex-governador da Bahia e um dos principais nomes do Partido dos Trabalhadores (PT), Jaques Wagner comparou, na manhã desta quarta-feira, o contexto atual que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao golpe militar de 1964. Ele rejeitou, ao menos no momento, fazer uma discussão imediata sobre quem será o candidato do PT ou apoiado pelo partido no caso de o petista não poder concorrer novamente à Presidência.

O ex-governador Jaques Wagner é um dos principais líderes do PT
O ex-governador Jaques Wagner é um dos principais líderes do PT

De passagem por Curitiba, onde participou de ato de apoio a Lula na frente da Polícia Federal, onde o ex-presidente está preso, Wagner afirmou que há uma situação de ameaça à democracia mais complexa, porque em 1964 “rasgaram a Constituição” e o jogo estava “mais claro”, ao contrário de hoje, em que o debate é “hipócrita e cínico”.

— O movimento (que gerou o golpe militar) de 1964 tem a mesma matriz desse movimento. Naquele momento, um movimento civil-militar, nesse momento um movimento político-jurídico-institucional. Na matriz dos dois movimentos, é a mesma matriz de desprezo pela democracia e o voto popular — criticou.

Braço político

Para Wagner, há uma tentativa de “interditar” a presença de Lula na eleição de outubro, o que, em sua opinião, é uma “tentativa de interditar a democracia brasileira”. Ele aproveitou para disparar críticas ao Judiciário nesse processo.

— O sistema judiciário brasileiro virou braço político dos segmentos mais conservadores da nação e essa luta não é mais simples, ao contrário, ela é mais cínica e hipócrita do que em 64 —afirmou.

Mesmo com Lula preso e sem perspectivas de que possa sair da cadeia; além da probabilidade de ficar inelegível, Wagner rejeitou falar em outros nomes, que não o do ex-presidente, para a sucessão presidencial. Ele disse que essa discussão significa concordar com a “interdição” da candidatura de Lula. E que esse não é o momento para se fazer esse debate.

— Eu entendo que não é hora de ficar construindo de plano A, B ou C ou D. Eu sou plano L, de Lula, ou plano U, de único candidato para mim — disse.

Progressista

Wagner afirmou que, somente adiante, se deve fazer essa discussão; momento em que se terá acumulado capital político suficiente para se escolher um candidato. Este poderá estar dentro ou fora do PT. Para ele, o momento é de acumular energia em defesa da democracia e na busca pela união do que ele chamou de campo progressista.

— Eu não vejo plano B, estou aqui em defesa da liberdade do Lula, porque eu entendo que o homem de 72 anos está sendo punido injustamente — afirmou.

O ex-governador citou que está cedo para se fazer esse debate e citou pré-candidatos a presidente de outros partidos; como Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB); e Ciro Gomes (PDT), como potenciais nomes para suceder o presidente. Portanto, caso de ele não possa concorrer.

Antes do pleito

Wagner é apontado como possível alternativa a Lula dentro do PT. Mas que deve concorrer ao Senado pela Bahia. Ele afirmou que, em caso de Lula não poder se candidatar; não enxerga como “tão automático” a possibilidade de transferência de votos.

— Já vi Lula apoiar gente e não ser eleito — afirmou.

Por fim, segundo Wagner, as pessoas começam a discutir, para valer; o processo eleitoral de 30 a 40 dias antes do pleito.

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