Zico, meio século de vida e arte

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Publicado domingo, 2 de março de 2003 as 22:29, por: CdB

Juiz de Fora, Minas Gerais. Dia 02/12/1989, 13 mil pessoas se espremem no estádio para assistir o clássico mais charmoso do país: Fla x Flu. Em campo um desfile de craques consagrados como Zico e Júnior. De repente uma falta na intermediária Tricolor, a torcida vibra como se fosse pênalti. O goleiro Ricardo Pinto arruma a barreira e se posiciona, aflito, em baixo das traves. O “Galinho de Quintino” ajeita a bola e cobra com perfeição, um golaço. O primeiro de uma goleada história aplicada em cima da equipe do técnico Telê Santana por 5 a 0, pelo Campeonato Brasileiro. Esse foi o último gol de Zico e a última partida oficial com a camisa Rubro-negra.

O maior ídolo do futebol brasileiro dos anos 80 está completando meio século de vida nesta segunda-feira. Arthur Antunes Coimbra, conhecido mundialmente como Zico, marcou 831 gols em sua carreira, sendo 508 gols pelo Flamengo, clube que defendeu profissionalmente por 15 anos.

Quem visse o “Galinho de Quintino” quando começou pelo clube Rubro-negro, em 1967, aos 13 anos, medindo 1,55 m e pesando apenas 37 kg não imaginaria que aquele garoto iria se tornar o Pelé Branco (White Pele) – como é chamado no exterior. Nem mesmo o treinador das categorias de base do Flamengo, Modesto Bria, acreditou quando viu o menino franzino chegando com o radialista Celso Garcia.

“É muito franzino. Não dá!”, decretou Bria.

Mas o técnico foi convencido por Garcia e deixou o jovem treinar na equipe de base do clube carioca. Na partida de estréia pela escolinha do Flamengo, Zico marcou dois gols na vitória por 4×3 sobre o Everest, pelo Campeonato Carioca da categoria. O primeiro título do “Galinho” pelo Rubro-negro foi em 1969 – o Campeonato Carioca de Infantis.

Para melhorar o porte físico, o jogador passou por uma dieta rigorosa e por um trabalho de musculação. O resultado final foi o aumento de 29 kg em sua massa muscular e de 17 cm em sua estatura.

A profissionalização ocorreu no dia 29/07/1971 na vitória do Flamengo sobre o Vasco por 2×1, pela Taça Guanabara. Mas o primeiro título como profissional veio no ano seguinte, o Campeonato Carioca, com o técnico Zagallo comandando a equipe Rubro-negra. Mas Zico só disputou duas das vinte e sete partidas da competição.

Em 1974, o camisa 10 do clube da Gávea conquistou o Estadual como titular absoluto, além de ser o artilheiro do campeonato com 49 gols, já sob a orientação do técnico Joubert Meira.

O Flamengo conquistou 22 títulos na Era Zico: nove taças Guanabara, sete Campeonatos Estaduais, quatro Brasileiros, Taça Libertadores da América e Mundial Interclubes (quando derrotou o Liverpool, da Inglaterra, por 3 x 0, além de ser eleito como o melhor jogador em campo).

Em 1983, Zico foi vendido para a Udinese, da Itália, clube que defendeu por dois anos. O brasileiro foi vice-artilheiro do campeonato de 84, apenas um gol atrás do francês Platini, que jogou 6 partidas a mais pela Juventus. Entretanto, Zico foi eleito o melhor jogador da competição.

Fora dos gramados

Mas nem tudo foi alegria na vida do “Galinho de Quintino”. O meio-campo não deu sorte na Seleção Brasileira, perdendo as três Copas do Mundo que disputou (78, 82, 86). No dia 29/08/1985, uma entrada criminosa do lateral-direito do Bangu, Márcio Nunes, tirou Zico dos gramados. O jogador, que sofreu torção nos dois joelhos e no tornozelo esquerdo, contundiu a cabeça do perônio esquerdo e teve cortes profundos na perna direita, passou por três cirurgias para poder voltar a jogar futebol.

A despedida do maior artilheiro da história do clube Rubro-negro aconteceu no dia 06/02/1990, no Maracanã, com 100 mil expectadores . A partida foi disputada entre o Flamengo e um combinado de jogadores amigos de Zico. O jogo terminou empatado em 2×2, mas o “Galinho de Quintino” não marcou.

Fora dos gramados, o ídolo da maior torcida do país foi convidado para assumir a Secretaria de Desportos no governo do então presidente Fernando Collor. No cargo, ele criou a Lei Zico