Rio de Janeiro, 05 de Janeiro de 2026

Até quando Cunha?

Por José Inácio Werneck - Há meses o Financial Times disse que o Brasil era um “filme de horror” e os vampiros como Cunha continuam a voar nos desvãos pavorosos.

Segunda, 14 de Dezembro de 2015 às 14:49, por: CdB
Por José Inácio Werneck, de Bristol, Estados Unidos:
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Será que existe político honesto no Brasil?
Até quando Eduardo Cunha abusará de nossa paciência? Envolvido em escândalos desde a época de PC Farias (o “homem da mala” de Fernando Collor), afastado de outros postos por atitudes indignas, o homem que anunciou que “estava na oposição” a partir do momento em que soube que era investigado por corrupção na Operação Lava-Jato, o homem que mentiu ao Congresso ao dizer que não tinha contas secretas na Suíça, o cidadão  que deu o ponta-pé inicial no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no dia em que soube que deputados do PT votariam (como impunha a moral) contra ele no Conselho de Ética da Câmara - até que ponto a criatura continuará abusando da paciência do país? Há meses o Financial Times disse que o Brasil era um “filme de horror” e os vampiros como Cunha continuam a voar nos desvãos pavorosos. Nunca votei em Dilma Rousseff e, em Lula, votei apenas uma vez, quando ele foi candidato contra Fernando Collor. Mas, como dizia Eça de Queirós, apenas a má fá cínica ou a obtusidade córnea poderiam levar alguém a votar em  Fernando Collor. O Brasil entrou em recessão em decorrência da  queda do preço das commodities e da incompetência de Dilma Rousseff no micromanagement da economia. Mas incompetência não é motivo para impeachment. Que o diga George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos. É inconsistente defenestrar  Dilma pelas razões que vem sendo alegadas. Ou há crimes por ela cometidos ou não há e até agora os  pregoeiros do impeachment não os apresentaram à sociedade. O que há é uma gigantesca demonstração de ausência de espírito público, em grande parte decorrente da proliferação de partidos políticos no Brasil, que não refletem ideias nem ideologia, mas uma mera voracidade na disputa de cargos e de poder. Então vemos o ridículo de um Vice-Presidente da República, eleito na mesma chapa da Presidente da República, claramente lutando para derrubá-la e sentar-se em sua cadeira, embore declare que a carta em que sua intenção fica nua não configura um “rompimento”. Na escuridão da noite que se abateu sobre o país, Drácula - quero dizer, Cunha - segue adejando e manobrando para evitar que a Cämara tome a medida higiênica de cassar o seu mandato. Até quando?
José Inácio Werneckjornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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