Por Mário Augusto Jakobskind - Já com o título oficial de presidente (ilegítimo) depois da decisão do Senado em favor do impedimento definitivo da Presidenta Dilma Rousseff, Temer demonstrou arrogância e rancor ao afirmar que não aceita a pecha de golpista.
Domingo, 04 de Setembro de 2016 às 12:00, por: CdB
(Prosseguindo com as reações à destituição de Dilma, o Direto da Redação publica uma opinião diversa das já expostas, enriquecendo assim o debate, pois ao contrário dos blogs que eram financiados pelo ex-governo, acreditamos na democracia e na liberdade de expressão. Com vocês nosso colunista Jakobskind. Nota do Editor)Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro: Democracia é o debate sadio entre pessoas de opiniões diversas
Mais cedo do que se imaginava, o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer está mostrando a sua verdadeira face. De cara, já com o título oficial de presidente (ilegítimo) depois da decisão do Senado em favor do impedimento definitivo da Presidenta Dilma Rousseff, Temer demonstrou arrogância e rancor ao afirmar que não aceita a pecha de golpista.
Rancor a olhos vistos
Ao dizer que isso precisa de resposta, Temer deu a entender que poderia convocar a repressão. Não falou explicitamente, deixou no ar a vontade de quem tem falta de argumentos contra a realidade do golpe parlamentar. E como todo golpista, seja em moldes anteriores com tanques e canhões nas ruas, ou em bases atuais através do Parlamento respaldado pela mídia conservadora, se for necessário acaba apelando para a força bruta dos detentores das armas.
Depois da decisão parlamentar definitiva, Temer partiu para a China onde se apresentou como “presidente democrático” e tentou anular a verdade que acabou prevalecendo no exterior também, ou seja, de que é um golpista.
Furor contra a comunicação pública
Numa de suas primeiras decisões, deixou preparado para o patético interino, também golpista do DEM, Rodrigo Maia, assinar a extinção do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde se encontram os representantes da sociedade defendendo a comunicação pública.
Ao mesmo tempo, Maia assinava a exoneração do presidente da EBC, Ricardo Melo e colocando em seu lugar Laerte Rimoli, um apaniguado do réu no STF, o (ainda) deputado Eduardo Cunha.
Mancada que entra para a história
Mas aí, poucas horas depois teve de voltar atrás e publicar uma edição extra do Diário Oficial confirmando Melo na presidência da EBC e exonerando Rimoli do cargo que tinha sido nomeado poucas horas antes.
A Presidência interina golpista deve ter recebido a informação segundo a qual teria de prevalecer à decisão do Ministro Dias Tofolli que fez Ricardo Melo retornar ao cargo. Maia criaria um problema jurídico com o STF e alertado votou atrás.
Em algumas décadas quando for estudado este período, provavelmente a trapalhada do ato deixado pelo chefe golpista Temer será mencionado. O ridículo do ridículo, portanto, que tanto mal está fazendo ao Brasil.
Mas não é difícil de explicar a mancada. Muita sede ao pote em atacar de morte a comunicação pública. E qual o motivo? Elementar, prezados leitores, este governo ilegítimo e golpista não quer ouvir falar em debate e algo fora do esquema do pensamento único, como se propõe a mídia pública que se encontrava em desenvolvimento.
Mentiras para queimar a imagem
Para queimar o filme da comunicação pública, a mídia conservadora, sobretudo através de colunistas defensores da causa golpista, criticavam com mentiras a EBC. Sobre o Conselho Curador, figuras como o ex-colunista da Veja e atual O Globo, Lauro Jardim mentiam dizendo que o Conselho Curador seria um espaço do PT.
Nunca foi, total desinformação deliberada demonstrada por Jardim. Os conselheiros têm por missão defender a comunicação pública e evitar que governos, sejam quais forem, usassem o espaço governamental, como pretende o atual governo ilegítimo.
Jardim e outros do gênero têm por missão fazer o jogo do patronato midiático conservador, que não pode ouvir falar em comunicação pública. É por aí que se pode explicar o posicionamento de Jardim e outros. Não aceitam em hipótese alguma o contraponto, até para evitar que leitores e telespectadores questionem as mentiras assacadas sem base na realidade.
Para se entender ainda mais tudo isso é importante um passar de olho nos acontecimentos, seja nestas bandas ou pelo mundo a fora. Por aqui, por exemplo, as PMS e cia ltda. ameaçam e reprimem com violência, seja na periferia e até em manifestações anti-Temer.
No mesmo contexto
No caso do Rio de Janeiro devem-se incluir também as invasões na sede de um partido na Lapa, o Partido Comunista Brasileiro e assim sucessivamente.
No plano geral, junto com o que está acontecendo, não se deve deixar de lado a ofensiva golpista contra conquistas sociais. Revela o site The Intercept Brasil que além da extinção de pastas na área social, na avaliação do Orçamento enviado ao Congresso pelo poderoso chefão golpista Michel Temer, na mesma quarta-feira do impeachment e da ida à China foi proposta a redução média de 30% nos valores para os onze principais programas da área social do governo. E pensar que tanto Temer como os seus áulicos diziam que não haveria cortes na área social. E a mentira desse pessoal tem o respaldo costumeiro da mídia conservadora que não pode ouvir falar em contraponto.
E assim caminha o Brasil depois da confirmação do impeachment. Muitos outros fatos poderiam ser mencionados para entender ainda mais o ódio descabido contra a comunicação pública por parte dos que assumiram o poder ilegitimamente. O contexto dos cortes sociais e do que foi mencionado nesta reflexão explica o verdadeiro motivo do que vem sendo feito até agora e o que poderá vir por aí.
No exterior, na Argentina, por exemplo, o presidente Maurício Macri foi direto, logo no início da gestão, contra a democrática lei dos meios de comunicação. Na Venezuela, diariamente nas páginas dos jornalões são apresentadas informações de caráter duvidoso colocando em cheque o governo constitucional de Nicolas Maduro.
E assim vai pelo mundo a fora, principalmente nas páginas dos jornalões que integram os diários da Américas.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.Direto da Redaçãoé um fórum democrático de debates editado pelo jornalistaRui Martins.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.