Rio de Janeiro, 01 de Janeiro de 2026

DEM e PSDB articulam derrubada de Temer após processo de Janot

Nas duas Casas, a maioria dos parlamentares já antevê que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará denúncia contra Michel Temer, no STF, semana que vem

Sexta, 02 de Junho de 2017 às 10:52, por: CdB

Nas duas Casas, a maioria dos parlamentares já antevê que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará denúncia contra Michel Temer, no STF, semana que vem

 

Por Redação - de Brasília e São Paulo

 

Contra as cordas desde a eclosão do escândalo em que vazaram os diálogos entre o presidente de facto, Michel Temer (PMDB), e Joesley Batista, e um dos donos do Grupo JBS, um cruzado de direita voa para o nocaute certo do governo instituído após a derrubada de Dilma Rousseff (PT), há pouco mais de um ano. Novamente, a solução final para Temer parte do Congresso.

temer2.jpgMichel Temer, da mesma forma que entrou, tende a sair pela vontade dos parlamentares

Nas duas Casas, a maioria dos parlamentares já antevê que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará denúncia contra Michel Temer, no STF, semana que vem. Prazo idêntico para a possível prisão do suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Preso o amigo e possível cúmplice de Temer em crimes como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, próximo de uma delação premiada, estaria montado o cenário para minguar a base aliada na Câmara e no Senado. A oportunidade surge exatamente diante do fato que, uma vez aceita a denúncia contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF), esta precisará ser aprovada pelo plenário da Câmara.

Apoio geral

Para se manter no cargo, o governo imposto após o golpe de Estado, em curso, precisará de exatos 172 votos. “Em outros tempos, seria brincadeira de criança a obtenção deste quorum mas, diante dos fatos, esta torna-se a saída que o país desejava para o afastamento de Temer e a realização das eleições indiretas de que todos falam”, afirmou um parlamentar tucano à reportagem do Correio do Brasil, por telefone, na manhã desta sexta-feira.

— Trata-se de uma oportunidade de ouro para, diante de um possível acordo entre a parcela do PMDB dissidente, coordenada por Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado, e na Câmara, por folgada maioria no PSDB, que seja esvaziado o resultado da votação contra o pedido do STF — acrescentou.

Ainda que parcelas inteiras da oposição seja refratária às eleições indiretas, ainda que para um mandato tampão até 2018, a ausência dos partidos não alinhados a exemplo do PSOL, entre outras siglas minoritárias, na formação de um quórum mínimo pesa na estratégia de provocar a escolha de um mandatário, indiretamente, já nos próximos 30 dias.

Fora do ninho

Para um grupo relevante de tucanos, de todo o pais, é hora de desembarcar do barco comandado por Michel Temer. “Trata-se de uma questão de sobrevivência para o PSDB, avalia um dos principais integrantes desta maioria dentro do partido. Segundo o deputado Daniel Coelho (PE), “se o PSDB ficar na base, vai haver desmonte com a janela eleitoral”.

Presidente da Assembleia de São Paulo e voz de peso, em nível nacional, Cauê Macris apoia a revoada.

— Não precisamos estar dentro do governo para defender o que é bom para o país — disse a jornalistas.

Saída à esquerda

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) repercutiu, nesta manhã, a intenção de segmentos inteiros da direita pelas eleições indiretas. Ele garante que o partido "não fará acordo por cima" para substituir Michel Temer (PMDB). A orientação para os petistas é "não votar no colégio eleitoral" caso o presidente seja cassado.

— O candidato indireto não tem como prometer que não fará reformas. Senão não terá apoio da imprensa e do capital — afirmou o senador a outro diário do município de São Paulo.

Para o senador fluminense, a única saída possível para o impasse político será a promoção de “eleições livres e diretas”. Lindbergh, no entanto, não comentou sobre a possível retirada dos parlamentares em Plenário. Isso evitaria a formação do quorum mínimo para liberar que o STF processe Michel Temer.

Tal articulação toma corpo no momento em que o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), primeiro na linha de sucessão assim que Temer deixar o Planalto, busca apoio junto ao PT. Ele tem mantido contato com demais partidos de esquerda, para uma solução negociada.

Maia tem conversado com partidos de oposição. Ele teria, segundo petistas, buscado um contato com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda se mantém cauteloso. Na avaliação do líder petista, qualquer conversa sobre eleição indireta, nesse momento, seria inadequada. 

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