Rio de Janeiro, 09 de Janeiro de 2026

Francisco pede revisão de leis de imigração para ajudar refugiados

O papa Francisco pediu nesta terça-feira que os países revejam suas leis de imigração para acolher imigrantes

Terça, 15 de Dezembro de 2015 às 09:26, por: CdB

O apelo do papa chega em um momento no qual várias nações europeias querem fechar suas fronteiras a imigrantes e refugiados

Por Redação, com agências internacionais - da Cidade do Vaticano/Berlim: O papa Francisco pediu nesta terça-feira que os países revejam suas leis de imigração para acolher imigrantes e ajudá-los a se integrar na sociedade e se tornar moradores legais. O apelo dele chega em um momento no qual várias nações europeias querem fechar suas fronteiras a imigrantes e refugiados e a imigração se tornou um tema de destaque na campanha presidencial dos Estados Unidos. – Com respeito aos imigrantes, pediria que a legislação sobre a imigração seja revisada, de forma que, enquanto respeita direitos e responsabilidades recíprocos, possa refletir uma prontidão para dar as boas-vindas aos imigrantes e facilitar sua integração – declarou o papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz da igreja católica.
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O papa Francisco pediu nesta terça-feira que os países revejam suas leis de imigração
A mensagem anual é enviada a chefes de Estado e de governo, além de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU). – Deveria ser dada atenção especial às condições de residência legal, já que viver clandestinamente pode levar a um comportamento criminoso – afirmou o pontífice. Durante uma visita ao México planejada para fevereiro próximo, o primeiro papa latino-americano rezará uma missa na fronteira com os Estados Unidos, onde se espera que ele defenda os direitos dos imigrantes. Os pré-candidatos presidenciais republicanos envolvidos na disputa pela Casa Branca em 2016 estão propondo planos para limitar a imigração ilegal, e o favorito Donald Trump ameaçou deportar 11 milhões de pessoas.

Entrada de refugiados

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, defendeu na segunda-feira, em discurso no congresso anual de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), as políticas de seu governo para lidar com a crise dos refugiados. Em uma atitude para acalmar os ânimos das alas mais conservadoras da CDU, ela prometeu uma redução do fluxo migratório em seu país, ao mesmo tempo em que se comprometeu a acolher os mais vulneráveis. Aos cerca de mil delegados presentes ao congresso, a chanceler disse que seu governo deseja "reduzir significativamente" a entrada de refugiados no país, enquanto estimativas indicam que o número de requerentes de asilo deverá ultrapassar um milhão em 2015. – Com uma abordagem nos níveis alemão, europeu e global, teremos êxito ao regular e limitar a imigração – afirmou. A chanceler, porém, ressaltou que seu país tem um dever "moral e político" por ser a maior potência econômica do continente, ao acolher os mais vulneráveis, em particular, os refugiados sírios. "Vamos cumprir nossa responsabilidade humanitária", reiterou. Merkel apelou ao senso histórico do partido, afirmando que a mesma força que fez com que a Alemanha se reerguesse dos "escombros da guerra para criar o milagre econômico, e ir da divisão a um país reunificado", vai conduzir o país através da crise migratória. – A crise dos refugiados representa um teste histórico para Europa – afirmou a chanceler. "Algo que víamos pela televisão está agora, literalmente, às portas de nossas casas". "Obrigação humanitária" Merkel disse que abrir as fronteiras de seu país aos milhares de refugiados que enfrentavam dificuldades, após serem bloqueados na Hungria em setembro, foi nada menos do que uma "obrigação humanitária". Desde então, porém, o aumento das críticas dentro de seu próprio partido a forçou a mudar a orientação de sua política. Autoridades da CDU fizeram um acordo com os opositores da política de asilo para afastar a ameaça de uma demonstração de oposição, que poderia causar danos à imagem da sigla conservadora durante o congresso, na cidade de Karlsruhe. Os delegados deverão apoiar uma moção da chanceler pedindo "medidas eficientes para reduzir drasticamente" o fluxo de requerentes de asilo ao país, o que, segundo analistas, pode ser interpretado como um voto de confiança na liderança de Merkel. Ela, porém, foi enfática ao afirmar que o "fechamento" da Europa aos refugiados "em pleno século 21 não é uma opção razoável". Após encerrar seu discurso de mais de uma hora de duração, Merkel foi aplauda de pé por seus correligionários por cerca de dez minutos.  
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