Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

Irã não pretende paralisar enriquecimento de urânio, diz Ahmadinejad

Nenhuma proposta vinda das potências mundiais será capaz de convencer o Irã a parar de enriquecer urânio, disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitando a exigência dos países ocidentais que temem que Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares.

Quarta, 08 de Junho de 2011 às 06:35, por: CdB
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Nenhuma proposta vinda das potências mundiais será capaz de convencer o Irã a parar de enriquecer urânio, disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitando a exigência dos países ocidentais que temem que Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares. Um dia depois de a agência de energia atômica da Organização das Nações Unidas (ONU) dizer que tem nova evidência das possíveis dimensões militares da atividade nuclear do Irã, Ahmadinejad acusou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de fazer o jogo de Washington e disse que os avanços de Teerã na área nuclear não têm "nem freio nem marcha ré". O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse na segunda-feira que a AIEA recebeu "novas informações que parecem indicar a existência de possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã". A afirmação contradiz a posição do Irã, que insiste que a atividade nuclear do país é totalmente voltada para fins pacíficos. Ahmadinejad também deixou claro sua insatisfação com o diretor japonês da AIEA, que adotou uma abordagem mais dura que seu antecessor, o egípcio Mohamed ElBaradei. – Sob as ordens da América, (a AIEA) escreveu algumas coisas num relatório que são contra a lei e contra as regulações da agência. Isso não tem valor legal e, à parte de prejudicar a reputação da agência, não terá nenhum outro efeito – disse Ahmadinejad a jornalistas. Teerã afirmou que as sanções impostas por Washington, pela Europa e pela ONU não atingiram a economia do país e insiste que não será forçado a desistir do que considera seu direito soberano de enriquecer urânio, um processo que tanto pode produzir combustível para usinas nucelares ou fornecer material para uma bomba. – Eu já disse antes que esse trem nuclear do Irã não tem freios nem marcha ré... Continuaremos o nosso caminho – afirmou Ahmadinejad, acrescentando que o Irã continuaria a cooperar com a AIEA "contanto que eles ajam com base na justiça". Questionado se as potências mundiais poderiam oferecer algum incentivo para interromper o enriquecimento feito pelo Irã, ele respondeu com uma palavra: – Não. Maior produção Em linha com o pronunciamento de Ahmadinejad, o Irã pretende triplicar sua capacidade de produção de urânio de elevado grau de pureza e está transferindo essa atividade de enriquecimento nuclear de uma instalação usada há anos para outra que só foi revelada em 2009, informou a emissora estatal IRIB nesta quarta-feira. – Este ano, sob supervisão da Agência (Internacional de Energia Atômica, a AIEA), nós vamos transferir 20% do enriquecimento da instalação de Natanz para a de Fordow, e vamos ampliar em três vezes a capacidade de produção – disse a jornalistas o diretor da agência iraniana de energia atômica, Fereydoun Abbasi-Davani, depois de uma reunião no governo, segundo a IRIB. O enriquecimento de urânio está no centro de uma disputa do Irã com vários países, liderados pelos Estados Unidos, que acreditam que a República Islâmica esteja desenvolvendo armas nucleares, o que o país nega. Várias rodadas de sanções internacionais não conseguiram deter o programa do Irã, que o considera um direito soberano. O anúncio desta quarta-feira deve alarmar ainda mais as potências ocidentais. O urânio enriquecido pode ser usado para alimentar usinas de energia, o motivo declarado pelo Irã, ou para ser usado em bombas, caso o material seja ainda mais processado.
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