Com um programa abertamente pró-europeu, Macron venceu como o candidato favorito das lideranças do bloco. Em Bruxelas e outras capitais, não se esconde a sensação de alívio por Le Pen ter sido contida
Por Redação, com DW - de Paris:
Bruxelas e as principais lideranças europeias parabenizaram o presidente eleito da França, Emmanuel Macron, após a vitória no segundo turno das eleições francesas. Neste domingo, o centrista obteve mais de 66% dos votos, derrotando, para o alívio de muitos, a populista de direita e eurocética Marine Le Pen.
Com um programa abertamente pró-europeu, Macron venceu como o candidato favorito das lideranças da UE. Sua vitória trouxe claramente alívio para o bloco. Que ainda tenta se adaptar à saída do Reino Unido. E viu nos últimos anos populistas capitalizarem a desconfiança com o atual modelo de mercado comum.
O porta-voz da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, foi um dos primeiros a celebrar a vitória. Segundo ele, a chefe de governo ligou ainda no domingo para o presidente eleito. Saudando seu comprometimento com uma "Europa aberta e unida".
A chanceler, segundo a mensagem, aguarda com expectativa a oportunidade de colaborar com o novo presidente francês. "Dentro da tradicional amizade franco-alemã".
Alemanha
Segundo ressaltou o governo alemão nesta segunda-feira. Berlim não poupará nenhum esforço para ajudar a França a implementar as reformas necessárias e fortalecer seu papel dentro da União Europeia.
Para Macron, a permanência da França na moeda comum europeia é indiscutível. Mas ele defende mudanças que podem causar desconforto em Berlim e Bruxelas. Um orçamento próprio para a zona do euro, inclusive ministro das Finanças e controles parlamentares.
Isso inclui também mudança nas regras fiscais. Ou seja, quanto de dívida um país pode fazer. Os detalhes não são claros. Essa reestruturação só seria viável com uma alteração dos tratados da UE.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, através do Twitter afirmou estar "feliz que a França tenha optado por um futuro europeu". Donald Tusk, líder do Conselho Europeu. Afirmou que os franceses se mantiveram fiéis aos ideais de "igualdade, liberdade e fraternidade" e "disseram não à tirania das notícias falsas".
O presidente da Itália, Paolo Gentiloni, deu vivas à Macron. Afirmando que com sua vitória "ascende uma esperança pela Europa".
Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, dusse que a vitória de Macron foi "uma inspiração para França e para a Europa". Dizendo estar certo de que vai trabalhar em conjunto com o novo presidente francês.
O presidente polonês, Andrzej Duda, cujo governo foi alvo de fortes críticas de Macron. Disse que "Polônia e França estão unidos por laços de séculos de cooperação e amizade".
– Estou convencido de que, a partir de agora, poderemos continuar essa tradição –completou. Durante a campanha, Macron acusou o governo conservador de Varsóvia de apoiar Le Pen.
May: "Um dos maiores aliados"
O gabinete da premiê britânica, Theresa May, disse que a primeira-ministra parabeniza o presidente eleito Macron pelo seu êxito nas eleições. "A França é um dos nossos principais aliados e estamos ansiosos para trabalhar com o novo presidente em uma ampla variedade de prioridades comuns", afirmou.
O presidente russo, Vladimir Putin, enviou um telegrama Macron afirmando que a Rússia está pronta para trabalhar construtivamente com o novo governo francês em temas bilaterais e globais.
– O aumento das ameaças do terrorismo e do extremismo está acompanhado de um agravamento nos conflitos locais e a desestabilização de regiões inteiras", afirmava o texto da mensagem. "Nessas condições, é especialmente importante superar desconfianças mútuas e unir esforços para assegurar a estabilidade e a segurança internacional – disse Putin.
– Parabéns a Emmanuel Macron por sua grande vitória como o próximo presidente da França. Estou muito ansioso para trabalhar com ele – afirmou através do Twitter o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente da China, Xi Jinping, disse que seu país está "pronto para levar a parceria estratégica sino-francesa a um nível mais alto". Os dois países, segundo afirmou, compartilham a "responsabilidade em relação à paz e ao desenvolvimento no mundo".