Ao aceitar derrota nas urnas, FHC agora propõe um ‘centro radical’

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Publicado domingo, 4 de novembro de 2018 as 18:06, por: CdB

“Radical em não aceitar o arbítrio e, portanto, em respeitar a Constituição”, escreveu FHC, em artigo publicado na edição dominical de um dos diários conservadores paulistanos.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (FHC-PSDB) acredita que, após a “hecatombe que se abateu sobre o sistema partidário” com a eleição de Bolsonaro, será necessária a criação do “centro radical”.

FHC rejeita voto automático em Haddad, mas descarta, inteiramente, qualquer apoio a Bolsonaro
FHC rejeitou voto automático em Haddad, mas descartou, inteiramente, qualquer apoio a Bolsonaro

“Radical em não aceitar o arbítrio e, portanto, em respeitar a Constituição”, escreveu FHC, em artigo publicado na edição dominical de um dos diários conservadores paulistanos.

Visão liberal

Para o líder tucano, “ser radical de centro implica ser firme na preservação dos direitos civis e políticos e propor uma sociedade não excludente e justa. Sem conservadorismo. A onda conservadora concentra-se principalmente nos costumes, na cultura. O centro radical prega o respeito à diversidade e sua valorização, que é constitutiva da democracia, embora se recuse a transformar a diferença em expressão única do que é positivo”.

“Sem fundamentalismos desnecessários e mesmo contraproducentes, o ‘centro progressista e radicalmente democrático’ deve incorporar ao seu credo uma visão mais liberal, sem medo de ser tachado de ‘elitista’ ou ‘direitista”, afirmou.

FHC pondera, no entanto, para não se “cair, por outro lado, na apologia do ‘individualismo possessivo’, porque o mercado não é a única dimensão da vida nas sociedades contemporâneas”.

Corações e mentes

“Comecemos com a autocrítica. Também o PSDB, ainda que vitorioso em Estados expressivos, se desfigurou nas últimas eleições. Será capaz de se remontar? Francamente, não sei. E os demais partidos e movimentos de renovação, que rumos eles tomarão para sobreviver?”, questiona o ex-presidente.

Em caso de prevalecer a “adesão oportunista ou o da crítica indiscriminada a tudo o que o novo governo fizer, de pouco servirão para a retomada do rumo democrático e progressista. É cedo para apostar. A paciência histórica é boa conselheira e não se confunde com inação”, afirma.

“A consolidação de um novo movimento requer desde já a pavimentação de alianças, não só no círculo político, mas principalmente na sociedade, para formar um polo aglutinador da construção de um futuro melhor. E como as eleições de outubro mostraram, não basta ter boas ideias, é preciso que elas circulem nas redes que conectam as pessoas e mobilizam corações e mentes”, conclui o tucano.

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