Apesar de ataques violentos, Lula segue adiante com caravana ao Sul

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Publicado segunda-feira, 26 de março de 2018 as 14:35, por: CdB

Em visita a propriedade de agricultura familiar, Lula lamenta a violência de grupos fascistas no Sul do país.

 

Por Redação, com RBA – de São Miguel do Oeste, SC

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, na manhã desta segunda-feira, uma propriedade de agricultura familiar solidária em Nova Erechim, no interior de Santa Catarina.

— Depois de tanta coisa, é muito bom uma visita como essa que fiz hoje — disse o ex-presidente.

Lula carrega um saco de sementes orgânicas usadas na agricultura familiar
Lula carrega um saco de sementes orgânicas usadas na agricultura familiar

Nesse momento, a “tanta coisa” a que ele se refere nem havia registrado ainda o ataque ao ônibus no trajeto entre município e São Miguel do Oeste. O ambiente de festa, apesar da chuva, tinha crianças brincando, gaiteiros tocando e cheiro bom de comida no ar. E novamente marcava o gritante contraste com as praças de guerra provocadas pelos “agroboys” em diferentes momentos da caravana.

Programas sociais

Rolnei Worma de Souza, 28 anos, estava lá com a mulher Josecler Biazus, 25, e a filha Heloísa, 1 ano e 8 meses.

— Estamos na agricultura desde que nascemos. Ele foi um dos pilares nossos aqui. Financiamento com juro barato, habitação, o ponto inicial foi tudo ali. Praticamente 90% da agricultura aqui adquiriu algum tipo de financiamento, que foi um salto na agricultura — disse Rolnei.

E nisso incluem-se também os que têm criticado e muitas vezes patrocinado as agressões a Lula em sua passagem pelo Sul.

— É gente que tem dois, três tratores e não reconhece. Conseguiram e não dão valor — acrescentou Rolnei, citando ações como Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf); Mais Alimento, crédito fundiário, Minha Casa Minha Vida Rural.

Vacas leiteiras

Foi numa dessas casas, de dona Justina Pandolfo, que Lula tomou um café da manhã e ouviu da família as dificuldades que vêm passando desde o golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da Presidência da República.

A família descreveu os problemas enfrentados para a produção de leite no oeste catarinense e ouviu que programas de auxílio ao pequeno produtor, como Pronaf e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), estão sendo desconstruídos.

A família de Eleandro Pandolfo tem 12 vacas leiteiras na propriedade, cada uma produzindo uma média de 16 litros por dia.

— Na região, 14 produtores já desistiram. Os programas que mantinham as famílias produzindo e na terra desde 2003 já não existem mais. Não tem como a gente seguir se a produção custa R$ 0,90 e vendemos o litro a R$ 0,68 — disse.

Agricultura familiar

Cláudio de Paula, 57 anos, de Pinhalzinho, trabalha na roça desde os 8. E comentava outra preocupação recorrente dos trabalhadores sob o governo Temer.

— Trabalho há mais de 40 anos e nunca vou aposentar. Estou todo quebrado, as costas, tudo. Agora estão só a favor dos grandes, ninguém tem dinheiro — disse.

Em sua fala, Lula reforçou compromisso com a agricultura familiar e a proposta de fazer um plebiscito revogatório contra todas as medidas que retiraram direitos dos trabalhadores:

— Qualquer governo deveria saber que é muito barato cuidar das pessoas de bem. E é muito caro cuidar das pessoas que não prestam — afirmou.
Ilce Pierozan Foppa, agricultora de 47 anos, casada, tem dois filhos e duas netas. E valoriza a vida em comunidade na agricultura familiar.

— Estamos pensando num país melhor para a família e para as futuras gerações — pontuou.

Cooperativas

À tarde, a Caravana chegou a São Miguel do Oeste. A hostilidade de ruralistas na entrada do município não abalou o ânimo de quem esperava para ver Lula. A Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste (Cooperoeste), primeira parada na cidade, é uma das mais importantes indústrias de leite no Estado, produzindo mais de 100 milhões de litros ao ano.

Uma história que teve início em 1985, com a ocupação por cerca de 550 famílias da área de terra que deu origem aos primeiros 14 assentamentos da região. Em 1996, a cooperativa é criada, tornando-se a primeira indústria de leite tipo C e dos produtos orgânicas da marca Terra Viva. A Cooperoeste atua hoje em mais de 160 municípios e trabalha com aproximadamente 2 mil agricultores.

Serviço estratégico

O dia terminou na Cooperbio, cooperativa de insumos agrícolas e biodiesel da região. Rudinei José Cenci, de 29 anos, coordenador nacional do MAB, movimento dos atingidos por barragens, falou sobre a visita.

— É muito importante para chamar a atenção da sociedade, da importância de construir um projeto de sociedade que represente a classe trabalhadora e os interesses dos mais pobres — afirmou.

O MAB quer que Lula, caso seja eleito, ajude a construir uma política nacional de direitos para os atingidos. O movimento defende que as empresas de geração de energia sejam públicas, “do povo”, tratando energia como produto serviço estratégico para as necessidades internas e a soberania nacional.

No Paraná

A etapa Sul da Caravana Lula pelo Brasil chega nesta segunda-feira a sua fase final, no Estado do Paraná; onde está previsto ato da agricultura familiar em Francisco Beltrão, a partir das 10h.

De lá, a comitiva parte para Foz do Iguaçu de avião onde; às 17h, será realizado o Seminário Internacional da Tríplice Fronteira. O ex-presidente estará ainda nas cidades de Quedas do Iguaçu; Laranjeiras do Sul e Curitiba, onde o trecho sul da caravana será encerrado com um ato público na tarde de quarta-feira.

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