Bolsonaro prefere não atacar a Lava Jato; também não a defende

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Publicado domingo, 2 de agosto de 2020 as 14:46, por: CdB

“Qualquer operação, de combate à corrupção ou não, deve ser conduzida nos limites da lei, e assim tem sido feito no meu governo”, disse o presidente Bolsonaro. “Quanto às operações conduzidas por outro Poder, quem responde pelas mesmas não sou eu”, acrescentou o mandatário neofascista.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro buscou se eximir de qualquer responsabilidade sobre a condução da Operação Lava Jato, neste domingo no Twitter, ao afirmar que não responde por ações conduzidas por outros Poderes. A investigação, outrora liderada pelo ex-juiz Sérgio Moro, demitido do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no atual governo, tem sofrido uma série de críticas por parte do procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras.

Bolsonaro carregou o ministro Moro, que sangra sob a suspeita de conluio com o MPF para a prisão ilegal de prisioneiros, para um jogo do Flamengo, sem sequer ter tido tempo de tirar a gravata
Bolsonaro e o ministro Moro não pertencem mais à mesma torcida

Bolsonaro também tem mostrado sinais de aproximação com políticos investigados na maior ação de combate à corrupção do país.

“Qualquer operação, de combate à corrupção ou não, deve ser conduzida nos limites da lei, e assim tem sido feito no meu governo”, disse Bolsonaro. “Quanto às operações conduzidas por outro Poder, quem responde pelas mesmas não sou eu”, escreveu na rede social.

Força-tarefa

Na semana passada, Augusto Aras — escolhido por Bolsonaro para comandar a PGR em setembro passado — fez duras críticas à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba ao afirmar, por exemplo, que haveria “caixas de segredos” do grupo, em referência a supostos documentos que não seriam rastreáveis pelo sistema do Ministério Público Federal.

A força-tarefa de Curitiba rebateu o que considerou ser uma ilação feita por Aras e defendeu a atuação do grupo. A discussão sobre a operação ocorre a um mês do prazo para o procurador-geral decidir se vai prorrogar por mais um ano a força-tarefa.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem se aproximado cada vez mais de políticos investigados na operação, oferecendo cargos no governo a indicados de alguns alvos de investigações — o que contraria uma promessa de campanha. Na quinta-feira, por exemplo, ele viajou ao Piauí e cumpriu uma agenda pública com o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), que é alvo da Lava Jato.

Estatais

Até o momento, o presidente — que se elegeu ancorado na promessa de combate à corrupção e na esteira de defesa enfática da Lava Jato — não se manifestou publicamente sobre as questões referentes à operação.

Na série de postagens no Twitter, intitulada “Combate à corrupção/A Verdade”, Bolsonaro disse que “o maior programa de combate à corrupção” foi executado por ele ao não lotear cargos estratégicos, como por exemplo as presidências das estatais, segundo o presidente.

— A Polícia Federal goza de total liberdade em sua missão — afirmou, ao repetir que em breve o efetivo da corporação será aumentado.

Interferência

Em uma crítica ao ex-ministro Sergio Moro, hoje seu principal adversário político, o presidente destacou que com a troca do titular da pasta, “como por um passe de mágica, várias e diversificadas operações foram executadas”.

“A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, quase triplicou a apreensão de drogas com o novo ministro”, disse, referindo-se à gestão do novo ministro da Justiça, André Mendonça.

Embora não se declare candidato, Moro é apontado como um potencial adversário do presidente na sucessão de 2022. Ao deixar o governo em abril, o ex-juiz acusou Bolsonaro de buscar interferir politicamente na PF.

Corrupção

Bolsonaro conclui seus comentários na rede social afirmando que o governo está “há 18 meses sem qualquer denúncia de corrupção” e que isso tem incomodado parte da imprensa e os derrotados nas eleições de 2018.

Entretanto, o presidente ignorou, por exemplo, o fato de seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, ter sido indiciado pela PF em um esquema de candidaturas-laranja e ter sido denunciado pelo Ministério Público de Minas sobre esses fatos.

Além disso, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de prática de “rachadinha” em seu gabinete quando era deputado na Assembleia Legislativa do Estado.