Cresce número de ataques violentos a indígenas no governo neofascista

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Publicado quarta-feira, 6 de março de 2019 as 15:27, por: CdB

Aumentaram as ameaças e incursões ilegais a tribos e grupos de direitos indígenas com a chegada de Bolsonaro ao poder.

 

Por Redação, com Reuters – de Brasília

 

Dez dias após Jair Bolsonaro tomar posse como presidente do Brasil, dezenas de homens entraram em terras indígenas protegidas em uma área remota da Amazônia. Estimulados pela promessa de Bolsonaro de abrir mais territórios ao desenvolvimento comercial, os homens munidos de facões, serras elétricas e armas de fogo foram reivindicar o que veem como seu.

Líder da tribo Uru-eu-wau-wau teme a extinção de seu povo, em curto espaço de tempo
Líder da tribo Uru-eu-wau-wau teme a extinção de seu povo, em curto espaço de tempo

Logo se seguiu um impasse tenso com integrantes da tribo Uru-eu-wau-wau, que gravaram o confronto em janeiro em um vídeo de celular visto pela reportagem da agência inglesa de notícias Reuters. Os invasores ameaçaram atear fogo nos vilarejos para expulsá-los, disseram membros da tribo. Alguns destes deixaram setas com veneno prontas para serem usadas em seus arcos. Os invasores recuaram, mas uma placa cravejada de balas na entrada de sua vasta reserva hoje serve como seu cartão de visita.

Cimi

A placa é da Fundação Nacional do Índio (Funai), criticada por grande parte do agronegócio.

— É um alerta de que eles estão voltando — disse Awip Puré Uru-eu-wau-wau, membro de 19 anos da tribo, à agência inglesa, algumas semanas depois do atrito em Rondônia.

O confronto é parte de um aumento das ameaças e incursões ilegais que tribos e grupos de direitos indígenas dizem terem sucedido após a chegada do governo neofascista de Jair Bolsonaro ao poder. As invasões de terra cresceram 150% desde que ele foi eleito, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Na noite da vitória de Bolsonaro, um posto de saúde e uma escola em terras pankararu de Pernambuco foram atacados com bombas incendiárias, relatou o CIMI, e em Mato Grosso do Sul comboios de agricultores dispararam contra a comunidade guarani kaiowá para intimidá-la.

Reservas

O Brasil abriga cerca de 850 mil indígenas, que representam em torno de 300 tribos. Suas reservas vastas, que equivalem a cerca de 13% do território nacional, são uma fonte de conflito com pessoas de fora que querem explorar suas riquezas naturais há tempos.

Bolsonaro se queixou do que vê como proteções federais excessivas para estas minorias. Ele comparou os nativos das reservas a animais vivendo em zoológicos, sugerindo que fariam melhor assimilando e usufruindo de uma parcela dos lucros que viriam da abertura de suas terras à agricultura e à mineração.

O presidente repudiou as reservas por considerá-las um impedimento ao agronegócio.

— Se eu me tornar presidente, não haverá um centímetro quadrado de terra designada para reservas indígenas — afirmou ele durante um evento de campanha de 2017 em Mato Grosso.

Ruralistas

O agronegócio está entre os setores da economia que mais apoiaram a campanha de Bolsonaro.
Defensores dos indígenas, contudo, dizem que tal retórica atiçou um ressentimento antigo, colocando as vidas dos nativos em risco.

— Seus discursos de campanha… se tornaram uma licença para invadir terras indígenas — disse Ivaneide Bandeira, chefe da ONG de ativismo etnoambiental Kanindé.

Um dos primeiros atos de Bolsonaro como presidente foi privar a Funai de seu papel de determinar as fronteiras de reservas, atribuindo-o ao Ministério da Agricultura, que é dominado por ruralistas.

A Constituição brasileira de 1988 garante às tribos direitos sobre suas terras ancestrais.

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