FGV: custo da construção civil acumula alta recorde nos últimos 12 meses

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Publicado quinta-feira, 22 de julho de 2021 as 14:45, por: CdB

A elevação nos preços observados na pesquisa, em junho, incidiu sobre o custo da matéria-prima e é apontado, pela primeira vez, como o principal empecilho aos negócios nas empresas de construção, segundo dados da Sondagem da Construção, também da FGV.

Por Redação – de São Paulo

O aumento nos preços dos materiais e equipamentos de construção civil acumula uma alta recorde de 32,92% no período de 12 meses encerrado em junho, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se do maior patamar desde o início do Plano Real. Já o INCC-DI completo, incluindo também preços de mão de obra e de serviços, registra uma alta de 17,34% no período – ainda assim, muito além da inflação oficial (8,35%).

Os serviços tiveram alta de preços, puxada pela inflação dos serviços técnicos

De acordo com o INCC-DI, os itens que mais subiram de preço no período foram tubos e conexões de ferro e aço (alta de 91,66% em 12 meses até junho de 2021); vergalhões e arames de aço ao carbono (78,35%); condutores elétricos (76,19%); tubos e conexões de PVC (64,91%); eletroduto de PVC (52,06%); esquadrias de alumínio (35,21%); tijolo/telha cerâmica (33,82%); compensados (30,47%); cimento portland comum (27,62%) e produtos de fibrocimento (26,96%).

A elevação nos preços, em junho, incidiu sobre o custo da matéria-prima e é apontado, pela primeira vez, como o principal empecilho aos negócios nas empresas de construção, segundo dados da Sondagem da Construção, também da FGV.

Orçamentos

No mês, 36,4% das empresas ouvidas pela Sondagem da Construção apontaram o encarecimento da matéria-prima como principal limitador à melhoria dos negócios, ultrapassando assim as menções a problemas como demanda insuficiente (35,3%), questões financeiras (16,9%) ou acesso a crédito bancário (13,1%).

— Essa é uma questão que ainda está latente — disse Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV) ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP).

Segundo Castelo esta é “uma questão que preocupa, porque dificulta até a formação de orçamentos”.

— Por que as empresas formam um orçamento hoje, mas quando forem lançar o imóvel, quando forem vender, os preços estão subindo muito, como você faz essa projeção? É uma questão que complica significativamente. Por outro lado, para as famílias que já compraram imóvel e têm suas parcelas indexadas pelo INCC isso também é um problema, porque o índice está subindo de uma forma expressiva. É um componente que traz uma tensão ao cenário — acrescentou.

Mão de obra

O custo nacional da construção, por metro quadrado, foi de R$ 1.421,87 em junho, sendo R$ 829,19 relativos aos materiais e R$ 592,68 referentes à mão de obra, segundo os dados do Índice Nacional da Construção Civil (INCC/Sinapi), apurado pelo IBGE.

A inflação do setor apenas no mês de junho foi de 2,46%, a taxa mais elevada da série histórica com desoneração da folha de pagamentos, iniciada em 2013. O custo de mão de obra e insumos na construção ficou 20,92% mais caro nos últimos 12 meses até junho, também a maior alta de preços da série.

O resultado de junho teve impacto do dissídio coletivo de profissionais que atuam no setor em 10 Estados, mas a pressão acumulada dos preços de insumos “é o que vem renovando mês a mês os recordes na inflação do setor”, resumiu Augusto Oliveira, gerente do INCC/Sinapi.

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