Estudo aponta piora global na aceitação de imigrantes

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Publicado quinta-feira, 24 de setembro de 2020 as 11:29, por: CdB

A tolerância global em relação a imigrantes diminuiu entre 2016 e 2019, revelou um levantamento realizado pela empresa de pesquisa de opinião Gallup. A maior queda foi verificada na América do Sul, onde vários países experimentaram um grande fluxo de refugiados da Venezuela.

Por Redação, com DW – de Genebra

A tolerância global em relação a migrantes diminuiu entre 2016 e 2019, revelou um levantamento realizado pela empresa de pesquisa de opinião Gallup. A maior queda foi verificada na América do Sul, onde vários países experimentaram um grande fluxo de refugiados da Venezuela.

Centro colombiano de acolhida a refugiados da Venezuela
Centro colombiano de acolhida a refugiados da Venezuela

Publicado pelo Gallup na quarta-feira, o Índice de Aceitação de Migrantes dá pontuações aos países com base nas respostas dos entrevistados, que foram questionados sobre a ideia de ter migrantes vivendo em seu país, se mudando para sua vizinhança e se casando com membros de sua família. A média global caiu de 5,34 pontos em 2016 para 5,21 em 2019. A pontuação máxima do índice é de nove.

Segundo a especialista em migração da Gallup Julie Ray, a leve queda na aceitação de migrantes foi puxada principalmente pelos países latino-americanos. As maiores quedas de tolerância foram verificadas no Peru, Equador e Colômbia, devido ao fluxo de pessoas que fogem da Venezuela.

A pontuação do Peru caiu de 6,33 em 2016 para 3,61, enquanto o número de colombianos que veem positivamente os imigrantes vivendo em seu país caiu de 61% para 29%. A Colômbia é o país que sofreu maior impacto do êxodo venezuelano.

Sete países europeus estão entre os 10 menos tolerantes do índice, lista que é liderada por Macedônia do Norte, Hungria, Sérvia e Croácia.

União Europeia

Os Estados membros da União Europeia se reuniram na quarta-feira para discutir uma nova política de migração conjunta.

Entre os países europeus onde houve as maiores variações negativas, estão Bélgica e Suíça. Na Bélgica, sede do Parlamento Europeu, a pontuação caiu para 1,33.

Outro país que desempenhou um papel significativo na política de imigração da UE também revelou ter atitudes amplamente negativas em relação à imigração. A Turquia, que se tornou o lar de cerca de 4 milhões de refugiados como parte de um acordo com o bloco europeu, foi o décimo país que menos aceita migrantes, de acordo com a pesquisa da Gallup.

Leste Europeu

No entanto, um país do Leste Europeu de tolerância tradicionalmente baixa para a imigração registrou um aumento nas atitudes positivas e tolerantes. Uma parcela de 42% dos entrevistados poloneses disse considerar os migrantes que vivem no país como algo bom, contra 29% constatados três anos antes.

O Canadá lidera a lista de nações mais tolerantes em relação a migrantes, seguido por Islândia e Nova Zelândia, de acordo com o índice, que é baseado em mais de 140 mil entrevistas realizadas em 145 países e regiões. Na UE, somente Suécia e Irlanda estão entre os 10 países mais tolerantes do ranking.

O primeiro Índice de Aceitação de Migrantes da Gallup foi realizado em 2016, em meio à reação após a crise migratória de 2015 na Europa, quando mais de 1 milhão de pessoas entraram no continente, fugindo da guerra e pobreza no Oriente Médio, Ásia e África.

Estados Unidos

Apesar de uma série de políticas anti-imigração implementadas pelo governo do presidente americano, Donald Trump, os Estados Unidos ficaram em sexto lugar entre os mais receptivos aos migrantes. Quando questionados sobre a mudança de imigrantes para seu bairro, 90% dos entrevistados nos Estados Unidos disseram que é algo bom.

Entre aqueles que apoiaram Trump, a pontuação média foi de 7,1 em nove. A maior diferença foi entre as gerações mais jovens e mais velhas, com os de 16 a 29 anos de idade marcando 8,34 e aqueles com mais de 65 anos marcando cerca de um ponto a menos, 7,37.

Mundialmente, o índice mostrou que a aceitação dos migrantes foi maior entre as gerações mais jovens, pessoas com níveis mais elevados de educação e aqueles que vivem em áreas urbanas.

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