Governo quer demitir eleitores de Ciro Gomes, que protesta

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Publicado sexta-feira, 13 de julho de 2018 as 22:25, por: CdB

O governo tem procurado líderes dos partidos da base que vem conversando com Ciro Gomes, especialmente DEM e PP, para avisar que apoiar o pedetista —que já chamou o presidente Michel Temer de “quadrilheiro”.

 

Por Redação – de Brasília

Ministro da Secretaria de Governo, o deputado licenciado Carlos Marun disse, nesta sexta-feira, que os partidos da base que decidirem apoiar o pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, devem deixar o governo. O ex-governador do Ceará protestou, mas não impediu que Marum deixasse o aviso.

— É difícil alguém que tem ministros no governo dizer que o melhor é Ciro Gomes. Não estou dizendo que quem não apoia o Meirelles deixa o governo, mas tem que ter limite — disse em café da manhã com jornalistas, citando o pré-candidato do MDB à Presidência, ex-ministro Henrique Meirelles.

Ciro Gomes tem conversado com líderes da esquerda à extrema-direita
Ciro Gomes tem conversado com líderes da esquerda à extrema-direita

O governo tem procurado líderes dos partidos da base que vem conversando com Ciro Gomes, especialmente DEM e PP, para avisar que apoiar o pedetista —que já chamou o presidente Michel Temer de “quadrilheiro” e que espera vê-lo preso— e permanecer no governo são coisas incompatíveis.

Oportunista

Marun chamou de hipocrisia o fato de Ciro ter convidado para conversar partidos que estão ainda hoje no governo.

— Naquela ideia do ganhar de qualquer jeito para depois ver o que vai fazer. Se ele busca partidos que não tem nada a ver com suas propostas, é a volta daquela política oportunista, pragmática, negocial, que ele diz que não defende — atacou Marun.

A mesma visão, no entanto, não vale para outros candidatos, como o tucano Geraldo Alckmin que, segundo ele, apesar de são ser o candidato do governo e por vezes “não ter se posicionado claramente em algumas questões”, não critica as linha do governo.

— Nós entendemos que essas partidos deveriam todos se aglutinar em torno de candidatos que pelo menos não subam no palanque para dizer que é errado o que nós fizemos — disse.

Reforma

Marun disse, ainda, que “não tem cabimento” imaginar um palanque com Ciro Gomes e representantes dos partidos da base com o candidato falando mal, por exemplo, da reforma trabalhista.

— Eu torço para que não tenha sido em vão tudo que aconteceu no Brasil, que as pessoas analisem a coerência do candidato, que político que não é biruta de aeroporto. E dentro dessa nova política não cabe apoiar partidos que estiveram completamente contrário ao impeachment, à reforma trabalhista, ao estabelecimento de um teto de gastos… não cabe — afirmou.

Loterias

Durante o café da manhã com jornalistas, o ministro também informou que o governo decidiu revogar a medida provisória que retirou recursos das loterias de esporte e cultura para repassar ao novo Ministério da Segurança Pública.

Segundo Marun, o governo irá enviar uma nova MP mantendo os recursos das duas áreas, mas também contemplando a pasta da Segurança.

— A revogação da 841 é uma decisão já tomada. Estamos voltando à situação anterior à 841 e, com base nela, estabelecemos as decisões a serem tomadas — disse o ministro.

Segurança

Uma das alternativas é revogar o aumento do prêmio de todas as loterias —previsto na MP inicial— e deixar apenas para a loteria esportiva e para a raspadinha, duas modalidades que costumam atrair menos interessados.

O governo editou em 12 de junho a MP que diminuía os repasses dos recursos arrecadados pelas loterias para Cultura e Esporte e incluía a Segurança como destino. Na época, a alegação era de que os ministérios afetados não sentiriam falta do dinheiro, já que o orçamento estava contingenciado.

A reclamação das áreas, no entanto, fez o governo voltar atrás. O modelo final deve ser decidido nesta sexta.

Protesto

Pré-candidato do PDT, Gomes se adiantou às críticas do governo e afirmou, na noite passada, que Temer praticou crime eleitoral ao ameaçar retirar os cargos do PP no governo caso o partido decida apoiar sua candidatura nas eleições de 2018.

— Na medida em que o presidente da República, que a mim não surpreende, fala em cargo versus voto e apoio eleitoral, partidário, me parece que é absolutamente um crime eleitoral praticado à luz do dia, o que sendo o Temer não me surpreende nada — disse Ciro durante evento do PDT em um bar da Praia de Iracema, em Fortaleza.

Ciro também atirou no TSE: “esse é problema do Tribunal Superior Eleitoral”. Para Ciro, o Tribunal Eleitoral, como autoridade máxima que zela pelo bom andamento das eleições, tem o dever de interpelar os abusos de quem usa o próprio cargo para pressionar aliados e alianças.

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