Israel averigua acusações contra spyware da NSO, diz fonte

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Publicado quarta-feira, 21 de julho de 2021 as 12:08, por: CdB

Israel estabeleceu uma equipe interministerial sênior para averiguar as acusações cada vez maiores de que um spyware vendido por uma empresa israelense tem sido mal utilizado globalmente, disse uma fonte israelense nesta quarta-feira, acrescentando que uma revisão de exportações era improvável.

Por Redação, com Reuters – de Jerusalém

Israel estabeleceu uma equipe interministerial sênior para averiguar as acusações cada vez maiores de que um spyware vendido por uma empresa israelense tem sido mal utilizado globalmente, disse uma fonte israelense nesta quarta-feira, acrescentando que uma revisão de exportações era improvável.

Conselho de Segurança Nacional de Israel averigua acusações contra spyware da NSO, diz fonte

A equipe é liderada pelo Conselho de Segurança Nacional de Israel, que responde ao primeiro-ministro Naftali Bennett e tem uma área de especialidade mais ampla do que o Ministério da Defesa, que supervisiona as exportações do software Pegasus, da NSO, disse a fonte.

“Este evento está além do alcance do Ministério da Defesa”, disse a fonte, se referindo a potenciais repercussões diplomáticas após reportagens esta semana de supostos mal usos do Pegasus na França, no México, na Índia, em Marrocos e no Iraque.

Falhas nas atividades da empresa

Comentando esse último desdobramento, um porta-voz da NSO disse: “Acolhemos qualquer decisão do governo de Israel e estamos convencidos de que não há falhas nas atividades da empresa.”

O gabinete de Bennett se recusou a comentar. Discursando em uma conferência cibernética na quarta-feira, o primeiro-ministro não mencionou o assunto da NSO.

Uma investigação global publicada no domingo por 17 organizações de imprensa, liderada pelo grupo de jornalismo sem fins lucrativos com sede em Paris Forbidden Stories, disse que o Pegasus foi usado em tentativas de invasão e invasões bem-sucedidas a celulares de jornalistas, autoridades governamentais e ativistas de direitos humanos.

A NSO rejeitou as reportagens da imprensa, dizendo que elas eram cheias de “suposições erradas e teorias sem corroboração”. O Pegasus deve ser usado apenas por agências governamentais de inteligência e policiais para combater o terrorismo e o crime, disse a NSO.

Chefe da NSO Group israelense nega uso de programa

Shalev Hulio, cofundador e diretor executivo da companhia israelense NSO Group, negou as acusações de que o programa Pegasus teria sido utilizado para espionar a sociedade civil pelo mundo afora.

Vários veículos de mídia publicaram uma investigação mostrando que o software Pegasus da NSO Group, utilizado por serviços de inteligência para perseguir criminosos e terroristas, foi utilizado para espionar políticos, empresários, ativistas, jornalistas e oposicionistas em todo o mundo.

– Afirmamos veementemente que eles (políticos, empresários, ativistas, jornalistas e oposicionistas) não são alvos do Pegasus, nem foram selecionados como alvos do Pegasus, ou alvos potenciais do Pegasus. Isto não tem relação com nenhum de nossos clientes ou produtos da NSO – afirmou Shavel Hulio ao Financial Times.

O diretor executivo acrescentou que a empresa se compromete a desconectar qualquer sistema caso fique comprovado que o software em causa afetou celulares de jornalistas ou políticos.

Segundo informou previamente o Financial Times, citando suas próprias fontes, o programa Pegasus seria capaz de aceder a dados guardados na nuvem, tais como o histórico completo dos movimentos de uma pessoa, suas mensagens e fotos.

O Grupo NSO, que precisava de autorização do governo israelense para exportar seu produto considerado uma arma, sempre alegou que vendia o programa apenas para governos responsáveis para prevenção de atentados e outros crimes.

Em 18 de julho, uma investigação realizada por 17 veículos de comunicação, em colaboração com as organizações não governamentais Forbidden Stories e Amnistia Internacional, tornou públicas informações sobre o programa de espionagem israelense Pegasus.

De acordo com a investigação, o software foi utilizado por governos de pelo menos 11 países, entre eles Arábia Saudita, Azerbaijão, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Índia, Cazaquistão, Marrocos, México, Ruanda e Togo, todos países onde é comum ouvir falar de desrespeito pelos direitos humanos, bem como de perseguição de ativistas e jornalistas.

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