Manchas de óleo voltam a aparecer no extremo sul da Bahia

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Publicado quinta-feira, 14 de novembro de 2019 as 14:50, por: CdB

As substâncias foram encontradas nos municípios de Nova Viçosa, Mucuri e Prado.

Por Redação, com agências de notícias – de Brasília/São Paulo

Novas manchas de óleo voltaram a aparecer, nesta quinta-feira, no extremo sul da Bahia. As substâncias foram encontradas nos municípios de Nova Viçosa, Mucuri e Prado.

Operações para a retirada das substâncias foram iniciadas pelas prefeituras das cidades
Operações para a retirada das substâncias foram iniciadas pelas prefeituras das cidades

Os fragmentos do óleo chegaram no município de Prado em grande quantidade na praia de Cumuruxatiba, nesta quinta-feira. De acordo com a prefeitura, os funcionários já estão fazendo a coleta da substância.

Em Mucuri, perto da divisa com o Espírito Santo, também foi registrado a chegada de fragmentos da substância nesta quinta.

Na cidade de Nova Viçosa, foram registrados pequenos fragmentos do óleo na quarta-feira. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente da cidade, essa quantidade é maior do que já tinha chegado na praia antes.

O órgão informou ainda que o retorno das manchas pode ter sido ocasionado pela mudança de tempo, já que chuvas e fortes ventos do sul podem ter trazido a substância. A prefeitura disse que os servidores já estão fazendo a limpeza na praia.

Marinha reforça limpeza

O navio de desembarque de carros de combate Almirante Sabóia, da Marinha, partiu na última segunda-feira, do Rio de Janeiro, em direção a Ilhéus, na Bahia, com a finalidade de reforçar as ações de limpeza de vestígios de óleo nas praias do Nordeste. O navio transporta um Grupamento de Fuzileiros Navais, com 244 militares, além da tripulação.

Em terra, a tropa desempenhará ações de apoio à proteção ambiental, por meio da limpeza e do monitoramento dos manguezais, arrecifes e praias da região do sul do estado da Bahia, na faixa compreendida entre as cidades de Caravelas e Ilhéus.

O navio Almirante Sabóia realizará patrulha naval, ação de presença no Porto de Ilhéus e operações de monitoramento, participando com outros navios, na busca por possíveis manchas de óleo ou agentes poluidores, em especial em regiões próximas ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

A atracação da embarcação no litoral baiano ocorreu nesta quinta-feira, no Porto de Ilhéus. No dia 18, o navio fará ações no mar, com previsão de retorno ao Porto de Ilhéus no dia 25.

Em outra frente, mergulhadores do Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais permanecem atuando na limpeza e retirada do óleo no Rio Persinunga, no município de São José da Coroa Grande, em Pernambuco.

As ações de limpeza das praias do Nordeste estão concentradas em Mamucabinhas, em Pernambuco; Japaratinga, Barra de São Miguel, Coruripe, Feliz Deserto e Piaçabu, em Alagoas, e Cairu e Guaiu, na Bahia. Outra frente da Marinha atua na praia de Guriri, no Espírito Santo, na Região Sudeste, onde na semana passada apareceram vestígios de óleo na costa.

Combater manchas

Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, uma pesquisa pode ser a solução para os danos causados pelas manchas de petróleo no litoral do Nordeste. Desenvolvido há oito anos com amostras de uma ilha da região litorânea do Espírito Santo, o estudo propõe que o petróleo seja degradado de maneira natural. No entanto, como a água do mar não possui nutrientes como fósforo e nitrogênio, que proporcionam esta biodegradação, os pesquisadores desenvolveram emulsões de água fertilizada com esses nutrientes e óleo de canola.

A pesquisa começou a ser elaborada em decorrência da crescente exploração de petróleo na camada de pré-sal no local. Os estudiosos temiam  a ocorrência de algum acidente na região e começaram a buscar microrganismos com potencial de degradar o petróleo e que pudessem ser agentes de limpeza ambiental. O que agora pode ser aplicado no litoral do Nordeste.

– A ideia então é que, ao pulverizar essas emulsões sobre uma mancha de óleo no mar ou sobre o óleo que esteja contaminando as rochas litorâneas, essas gotículas, por serem hidrofóbicas, se colam, aderem ao petróleo, e vão lentamente sendo desfeitas. Paulatinamente, vão liberando os nutrientes que estão contidos na água, no seu interior, para os microrganismos, que estão atuando na degradação –  explica o pesquisador e professor de Biologia Marcos Rogério ao repórter André Bernardes da TV Viçosa, reproduzida pela TVT.

De acordo com Rogério, a mistura pode ser aplicada diretamente sobre as áreas contaminadas, com pulverizadores, tanto os usados na agricultura, como os costais. O professor e seus colegas de pesquisa estão em constante contato com as equipes que trabalham no derramamento de óleo na costa brasileira. Algumas amostras que já saíram de lá estão sendo encaminhadas para a UFV onde passarão por novas análises. Mas a certeza é de que a biodegradação é o processo que realmente pode ajudar a tratar o problema com eficácia.

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