Sob orientação do mercado financeiro, Globo procura se aproximar de Bolsonaro

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Publicado quarta-feira, 5 de setembro de 2018 as 15:20, por: CdB

Assessor econômico de Bolsonaro articula reunião com donos da Globo, em nome do interesse de investidores transnacionais. O encontro de quase duas horas, realizado na sede da emissora no Jardim Botânico, Zona Sul da Cidade, foi articulada sem alarde pelo economista Paulo Guedes.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Candidato da ultradireita fascista à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) chegou onde queria, com os ataques às Organizações Globo. Diante um ambiente inteiramente conflagrado na campanha eleitoral deste ano e a falta de tração na candidatura da centro-direita de Geraldo Alckmin (PSDB), Bolsonaro foi chamado a uma reunião com o vice-presidente do grupo Globo, João Roberto Marinho, na noite de segunda-feira.

Bolsonaro lembrou que a Globo apoiou a ditadura militar e, em seguida, foi chamado a conversar com a família Marinho
Bolsonaro lembrou que a Globo apoiou a ditadura militar e, em seguida, foi chamado a conversar com a família Marinho

O encontro de quase duas horas, realizado na sede da emissora no Jardim Botânico, Zona Sul da Cidade, foi articulada sem alarde pelo economista Paulo Guedes, com trânsito no mercado financeiro internacional e homem de confiança do candidato da extrema direita, segundo dados vazados para a mídia, nesta quarta-feira.

Na semana passada, Bolsonaro desferiu um ataque frontal ao grupo, que apoiou a ditadura militar. Na entrevista ao jornalista William Bonner, no principal noticioso da emissora, lembrou que Roberto Marinho, fundador das Organizações, foi um dos pilares dos governos militares, ao longo dos mais de 20 anos de vigência do período ditatorial.

Com uma posição estabelecida junto ao eleitorado mais conservador e radical, Bolsonaro tem superado, até agora, a opção por Alckmin, o que teria levado os donos da Globo, a família Marinho — a mais rica do país — a tentar um pacto de não agressão com o representante neofascista. A primeira providência, segundo fonte próxima ao grupo de mídia, foi adiar a divulgação de uma pesquisa na qual Lula teria chegado à posição de vitória absoluta, ainda no primeiro turno das eleições presidenciais.

Pesquisa suspensa

Ainda na véspera, vazou para o mercando financeiro a pesquisa encomendada pela Globo ao Ibope, que deveria ter sido veiculada no jornal da noite passada. O resultado foi a imediata queda de 1,97% na Bolsa de Valores, que seguia em baixa, nesta quarta-feira; além de uma alta substancial na cotação da moeda norte-americana. O dólar subiu 0,90%, fechando a R$ 4,16.

Lula, segundo os números vazados, teria chegado a 40%, enquanto Alckmin permanecia na casa dos 5%. À noite, o Ibope divulgou nota no Jornal Nacional, na qual o instituto tentou explicar que registrou sua pesquisa no TSE em 29 de agosto, “cinco dias antes da data de divulgação, como prevê a lei” embora a data da divulgação fosse, desde o início, sete dias depois do registro.

Em seguida, longe de explicar a razão por haver suspendido a divulgação do estudo, disse que foram preparados dois questionários, com e sem Lula. A nota torna-se ainda mais confusa ao afirmar que a pesquisa estava estruturada no sábado e domingo quando, diante da cassação de Lula no TSE na madrugada do sábado, o instituto teria retirado o questionário com o ex-presidente e mantido apenas um, com Haddad.

Próxima rodada

A informação recebeu a desconfiança de analistas políticos, uma vez que o campo de uma das pesquisas é passível de ser, simplesmente, eliminada do questionário.

A decisão política de vetar Lula das pesquisas também ficou explícita na nota do Grupo Folha de S.Paulo sobre o cancelamento da pesquisa de seu Datafolha, em linha com a decisão da Globo.

O jornal informou que, “como o questionário contemplava cenário com o nome do candidato impedido, o instituto decidiu não aplicá-lo”.

Os números do Instituto Vox Populi, no entanto, mostram a escalada de Lula e seu poder de transferência de votos para Haddad. A próxima rodada, contratada pela CUT, será divulgada quarta-feira da próxima semana.

Um dos dois

Frente o novo quadro eleitoral, o assessor econômico Paulo Guedes reforçou junto aos donos da emissora líder do cartel da comunicação, no Brasil, uma tendência que vem ganhando corpo junto aos investidores internacionais. Tanto eles, quanto muitos brasileiros, querem acreditar na possibilidade de um salvador.

Uma parcela de Wall Street, que investe em países como o Brasil, constata que este ano tem sido frustrante e o panorama de curto prazo se mantém arriscado, diante da fraca atuação de Alckmin. Enquanto o mercado de ações dos EUA batia recordes, com o corte de impostos e as medidas de desregulamentação de Trump, o principal índice de mercados emergentes registrava queda geral de 9%, puxado pelas baixas na Turquia (-55%), África do Sul (-21%) e Brasil (-20%).

Ano ruim significa bonificações menores e até perda do emprego nas grandes corretoras. Assim sendo, o Brasil tem potencial para promover uma recuperação nos níveis de lucro; embora somente ocorra caso seja eleito um presidente “amigo do mercado”, seja ele Bolsonaro ou Alckmin.

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