O vice-presidente José Alencar (PL) voltou a ironizar nesta segunda-feira suas qualificações para comandar o Ministério da Defesa, três dias depois de ter dito que se sente mais confortável com assuntos empresariais.
"Vocês acham que eu tenho perfil para a Defesa com essa barriga? Defesa tem que ser desbarrigado", brincou Alencar a jornalistas ao deixar o gabinete da vice-presidência.
O atual ministro da Defesa disse na sexta-feira que "não entende" dos assuntos da pasta e que vem tendo a "solidariedade" dos comandantes das Forças Armadas. Alencar afirmou ainda não ter "a menor pretensão de ser ministro da Defesa".
Insatisfeito com o cargo, Alencar garantiu que não sabe seu futuro à frente da pasta, mas afirmou que apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem conhecimento das alterações.
"Quem vai ficar e quem não vai só o presidente da República (sabe). Quem manda no Ministério é o presidente da República. Não sei de nada disso", afirmou Alencar nesta segunda-feira.
Lula vem costurando a reforma desde outubro do ano passado, quando foram feitos os primeiros contatos para reformular o Executivo e formar um "governo de coalizão", trazendo para o centro das decisões os partidos aliados. Na semana passada, quando havia a expectativa do anúncio, Lula disse que ainda estava pensando no assunto.
Especula-se que o presidente informe as mudanças ainda esta semana, mas quarta-feira ele visita Erechim, no Rio Grande do Sul, e Coronel Freitas, em Santa Catarina, cidades afetadas pela seca. Na sexta-feira vai a Aracaju (SE) e no sábado a Recife (PE), onde participa da festa de 25 anos do PT.
A possível saída de Alencar pode abrir espaço para o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PCdoB), que vem sendo fritado no cargo, desde que o PT perdeu a eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro. Para a Coordenação, um dos cotados é o ex-presidente da Casa, deputado João Paulo Cunha (PT-SP).
Um nome dado como certo na reforma é a do senador Romero Jucá (PMDB-RR) para a Previdência, substituindo o também peemedebista Amir Lando, que perderia o cargo.
O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que pode deixar a pasta para acomodar outros aliados do governo, foi cauteloso ao confirmar a informação.
"O PMDB no Senado tem a tendência de indicar o Jucá, mas não sei o que vai acontecer. Nesse governo, quem tem juízo, não dá fato consumado antes de o presidente falar", afirmou Eunício, que pode ser deslocado para outra pasta.