Ao ler o comunicado, Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, apontou para o balanço assimétrico do BC. Segundo o recado, há mais chances para pressionar a inflação para cima do que para baixo.
Por Redação, com CNN – de Brasília
O Banco Central (BC) chegou até onde podia ao anunciar o corte de 0,25 ponto percentual (p.p) nos juros, reduzindo a Selic a 14%, e evitou se comprometer com os próximos passos, ressaltando a necessidade de novos dados para as futuras decisões. A análise de especialistas ao canal norte-americano de TV CNN Money, avalia que decisão unânime do colegiado mostra cautela da autoridade monetária em meio ao cenário de incertezas domésticas e internacionais.

Ao ler o comunicado, Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, apontou para o balanço assimétrico do BC. Segundo o recado, há mais chances para pressionar a inflação para cima do que para baixo.
— Decisão é cautelosa apesar de unânime: inflação ainda acima da meta, riscos inclinados para cima (expectativas, câmbio, serviços), e o Comitê vai acompanhar cenários e ajustar conforme novas informações. Hoje o mercado está apostando em pelo menos mais um corte em 2026, mas o ritmo depois disso é incerto — afirmou.
Convergência
A autoridade monetária destacou no comunicado que a “magnitude total do ciclo de calibração” – ou seja, os próximos passos para a decisão de juros, “será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
Marco Caruso, head de política monetária e mercados do Santander, destaca que o tom do BC deixa “a porta aberta” – quando não há um sinal claro de encerramento do ciclo de cortes, mas sem trazer nenhuma amarra para decisões.
— A decisão de setembro dependerá, sobretudo, da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica e da avaliação do Comitê sobre se o atual grau de restrição monetária permanece compatível com a convergência da inflação à meta — pontuou.
Ruídos
Na mesma opinião, Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, destacou que o comunicado dá ênfase à desaceleração da inflação, além de trazer menos ruídos em relação à última reunião, sem menção a cenários alternativos.
“O Copom deixou em aberto os próximos passos, mas a indicação de que o ciclo de calibração está indefinido nesse momento aponta para a continuidade dos cortes, no cenário atual de continuidade da desaceleração da inflação, que esperamos para os próximos meses, e atividade mais fraca, o que manterá as expectativas de mercado também com ajuste para baixo”, afirmou.
Para Gabriel Santos, head de Research da Bloxs, o recado do Copom mostra pouca visibilidade das próximas decisões, reforçando um sentimento de cautela na política monetária.
— O corte atual não deve ser lido como início de uma sequência automática. O Copom está dizendo que o ciclo existe, mas que o tamanho dele ainda depende da evolução da inflação, das expectativas, do câmbio, do fiscal e da atividade — concluiu.