O resultado da balança comercial para meses de janeiro só perde para 2024. Naquele mês, houve superávit de US$ 6,196 bilhões.
Por Redação – de Brasília
As tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ao longo do ano passado — em atendimento ao lobby capitaneado pelo filho ’03’, como é conhecido o ex-deputado Eduardo Bolsonaro — a balança comercial brasileira registrou seu segundo maior superávit para os meses de janeiro desde o início da série histórica.

O resultado também foi beneficiado pela queda das importações, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 4,342 bilhões, alta de 85,8% em relação ao superávit de US$ 2,337 bilhões no mesmo mês de 2025.
O resultado da balança comercial para meses de janeiro só perde para 2024. Naquele mês, houve superávit de US$ 6,196 bilhões.
Setores
O saldo da balança ficou equilibrado em exportações: US$ 25,153 bilhões, com queda de 1% em relação a janeiro do ano passado e importações: US$ 20,810 bilhões, uma queda de 9,8% na mesma comparação. O valor das exportações, no entanto, é o terceiro melhor para meses de janeiro desde o início da série histórica, em 1989, só perdendo para janeiro de 2024 e de 2025.
As importações registraram o segundo melhor janeiro da série, perdendo apenas para o mesmo mês do ano passado. Na distribuição por setores da economia, as exportações em janeiro variaram na agropecuária, com 2,1%, em queda de 3,4% no volume e alta de 5,3% no preço médio; na indústria extrativa, com -3,4%, em alta de 6,2% no volume e queda de 9,1% no preço médio; e na indústria de transformação, com -0,5%, em recuo de 0,6% no volume e de 0,1% no preço médio.
Produtos
Os principais produtos responsáveis pela queda das exportações em janeiro foram os agropecuários café não torrado (-23,7%); algodão bruto (-31,2%); e trigo e centeio não moídos (-33,6%). Da indústria extrativa, com óleos brutos de petróleo (-7,8%); e minério de ferro (-8,6%); na indústria de transformação: óxido de alumínio, exceto corindo artificial (-54,6%); açúcares e melaços (-27,2%) e tabaco (-50,4%).
No caso do agronegócio, as exportações de soja cresceram 91,7% em relação a janeiro do ano passado, por causa da antecipação de embarques, e as vendas de milho não moído aumentaram 18,8%.
Em relação ao petróleo bruto, a queda nas exportações chega a US$ 364,6 milhões em relação a janeiro de 2025. Tradicionalmente, as vendas de petróleo registram forte variação mensal por causa da manutenção programada de plataformas.
Em relação às importações, a queda está vinculada ao petróleo e à desaceleração da economia, com a diminuição dos investimentos.
Projeções
Para este ano, o Mdic projeta superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões. As exportações devem encerrar o ano entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e as importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.
No ano passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 68,3 bilhões. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.