Volodymyr Zelensky afirmou que ainda não recebeu uma comunicação oficial de Moscou detalhando os termos do cessar-fogo anunciado publicamente pelas autoridades russas.
Por Redação, com RFI – de Kiev
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta terça que Kiev respeitará um cessar-fogo a partir de quarta-feira. A decisão é uma resposta à declaração de Moscou de uma trégua temporária nos dias 8 e 9 de maio, durante as comemorações na Rússia da vitória contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Volodymyr Zelensky afirmou que ainda não recebeu uma comunicação oficial de Moscou detalhando os termos do cessar-fogo anunciado publicamente pelas autoridades russas.
A trégua determinada pelo presidente ucraniano começaria mais cedo, à meia-noite de quarta-feira, como forma de verificar se a Rússia pretende de fato interromper os combates, independentemente de datas simbólicas. Zelensky não especificou a duração da medida e afirmou que Kiev responderá “de forma simétrica” a qualquer violação do cessar-fogo.
A Ucrânia alega que Moscou violou diversas vezes a breve trégua unilateral declarada por Vladimir Putin durante o fim de semana da Páscoa.
Moscou, por sua vez, ameaçou lançar um “ataque maciço com mísseis” contra o centro de Kiev caso a Ucrânia viole o cessar-fogo.
Ataques
As Forças Armadas russas lançaram 11 mísseis balísticos e 164 drones contra a Ucrânia durante a madrugada desta terça-feira, segundo a Força Aérea ucraniana, que afirmou ter interceptado um míssil e 149 drones. De acordo com o Exército, oito mísseis e 14 drones atingiram 14 locais diferentes no país, enquanto dois mísseis erraram seus alvos.
Volodymyr Zelensky, em visita ao Bahrein, condenou a mais recente onda de bombardeios. “É puro cinismo pedir um cessar-fogo para realizar celebrações de propaganda enquanto esses ataques continuam diariamente”, declarou em suas redes sociais.
Em terra, as tropas russas teriam perdido terreno pela primeira vez desde agosto de 2024, após a contraofensiva ucraniana na região de Kursk. Segundo Kiev, Moscou perdeu mais de 35 mil soldados, entre mortos e feridos.
A Ucrânia vem defendendo há meses uma trégua prolongada para facilitar negociações com vistas a um acordo que ponha fim à guerra iniciada com a invasão russa em 24 de fevereiro de 2022.
Moscou rejeita a proposta, argumentando que um cessar-fogo mais amplo permitiria a Kiev reforçar suas defesas e exige, em particular, que a Ucrânia ceda integralmente a região de Donetsk, no leste do país, parcialmente controlada pelo Exército russo, antes de qualquer interrupção das hostilidades.