Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

BC desiste de recurso contra demandas do TCU sobre banco em liquidação

O Banco Central desiste de contestar a inspeção do TCU sobre a liquidação do Banco Master, garantindo a autonomia da autoridade monetária.

Terça, 13 de Janeiro de 2026 às 20:53, por: CdB

Participaram da reunião, na véspera, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, o ministro-relator da inspeção, Jhonatan de Jesus, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo; além de outros diretores do BC.

Por Redação – de Brasília

O Banco Central (BC) apresentou, nesta terça-feira, o pedido de desistência do recurso que havia ingressado junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para contestar inspeção aberta na corte para analisar documentos da autarquia que embasaram a liquidação do Banco Master pela autoridade monetária. O pedido do BC, disponível no sistema público de consultas do TCU, foi apresentado um dia após o encontro entre autoridades da autarquia e da corte de contas.

BC desiste de recurso contra demandas do TCU sobre banco em liquidação | O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem sido questionado pela decisão de liquidar o Banco Master
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem sido questionado pela decisão de liquidar o Banco Master

Ao se reunirem para discutir o alcance da inspeção, as autarquias chegaram a um entendimento de que o procedimento será limitado e que a prerrogativa da autoridade monetária de liquidar o Master está preservada, sem contestação, segundo duas fontes com conhecimento do assunto.

Participaram da reunião, na véspera, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, o ministro-relator da inspeção, Jhonatan de Jesus, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo; além de outros diretores do BC.

 

Cautelar

De acordo com os integrantes do encontro, a retirada do recurso pelo BC está diretamente relacionada ao entendimento feito na reunião, que também incluiu um compromisso do TCU de que não tomará nenhuma decisão cautelar sobre o caso. O acordo entre o BC e o Tribunal prevê uma diligência da corte de contas no Banco sobre o caso do Master, mas em procedimento mais simples, rápido, respeitando regras de sigilo e dando poder à autoridade monetária para definir quais documentos serão disponibilizados.

Também ficou estabelecido que a diligência não será feita pelo gabinete do relator, mas pela área técnica do TCU que já reconheceu preliminarmente a competência do BC no caso e se posicionou favoravelmente à liquidação. Após o encontro, Rêgo disse que a inspeção será realizada em até 30 dias e não terá como objetivo reverter a liquidação do Master, ressaltando que serão respeitadas as regras de sigilo.

— O BC sempre entendeu as prerrogativas constitucionais do TCU — disse Rêgo à agência inglesa de notícias Reuters, depois de se encontrar com Galípolo.

 

Reação

Na prática, o TCU recuou em relação ao que o relator da inspeção chegou a aventar, isto é, a possibilidade de dar uma cautelar em favor do Banco Master mesmo diante da liquidação determinada pelo BC em novembro.

Essa possibilidade gerou forte reação nos últimos dias de autoridades e de representantes do mercado financeiro, sob o argumento de que poderia atingir a autonomia e independência da autoridade monetária.

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