Rio de Janeiro, 03 de Agosto de 2026

Brasil espera acordo Mercosul-UE para o final de 2004

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse nesta quinta-feira em Frankfurt que seu governo deseja continuar negociando com os Estados Unidos sobre a ALCA, mas espera que o Mercosul e a União Européia cheguem a um acordo de livre comércio no final de 2004. (Leia Mais)

Quinta, 15 de Maio de 2003 às 14:08, por: CdB

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse nesta quinta-feira em Frankfurt que seu governo deseja continuar negociando com os Estados Unidos sobre a ALCA, mas espera que o Mercosul e a União Européia cheguem a um acordo de livre comércio no final de 2004. Furlan fez estas declarações depois de participar em Frankfurt de uma conferência de dois dias com mais de 600 empresários e banqueiros alemães interessados em intensificar seus investimentos na América Latina. O ministro brasileiro esteve semana passada em Bruxelas, para negociar com a Comissão Européia, e em Genebra, para falar com as principais autoridades da Organização Mundial do Comércio (OMC), e se declarou satisfeito com a marcha das negociações UE-Mercosul. Em relação à ALCA, Furlan espera que a visita a Brasília na última semana de maio do secretário americano de Comércio Externo, Robert Zoellick, esclareça a posição de Washington em relação aos países do Mercosul, que se sentem discriminados pela oferta de três níveis de concessões apresentada pelos Estados Unidos. Quanto às negociações UE-Mercosul "as ofertas que estão sobre a mesa são muito convergentes, a européia inclui 91% dos produtos e a do Mercosul 83%, e esperamos para os próximos meses que as negociações cheguem a um acordo para a assinatura do compromisso numa reunião no final do próximo ano em uma cidade ainda a ser definida", disse Furlan. - Ainda existem muitos temas que devem ser discutidos com maior profundidade, como a questão agrícola que não está muito bem contemplada na oferta da UE e que representa mais de 50% das exportações do Mercosul -, destacou. A próxima rodada de negociações será em Assunção, no Paraguai. Sobre a ALCA, Furlan disse que o governo do presidente Lula está disposto a continuar as negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas. - O que acontece é que a oferta colocada pelos Estados Unidos sobre a mesa discrimina os países do Mercosul e pensamos que os Estados Unidos devem reconsiderá-la -, disse Furlan. - Temos um problema para continuar, mas a decisão do governo do Brasil e dos países do Mercosul é dar continuidade às negociações e buscar uma situação satisfatória para ambas as partes. A oferta americana estabelece três níveis de concessões, favorecendo outros países e colocando o Mercosul no mais baixo. - Há uma concordância do Brasil de que os países menores tenham a possibilidade de obter maiores facilidades, mas não concordamos que o Mercosul seja discriminado em relação a outros países de importância na América do Sul -, afirmou Furlan. - Acreditamos que os Estados Unidos devam ter muita clareza sobre o assunto nos próximos dias, quando o secretário de Comércio Externo americano, Zoellick, visitará o Brasil -, concluiu o ministro.

Tags:
Edições digital e impressa