O presidente dos EUA, George W. Bush, apresentou desafios pontuais a adversários e aliados em todo o mundo durante o discurso sobre o Estado da União no final da noite desta quarta-feira, mas tratou a Coréia de Norte de forma mais gentil enquanto apresentava planos de governo para o segundo mandato, iniciado neste ano. Bush, que há três anos disse que o Irã, a Coréia do Norte e o Iraque pré-guerra eram integrantes de um "eixo do mal", agora deu maior destaque à diplomacia.
Mas, enquanto chamou o Irã de o "principal patrocinador estatal do terror", o dirigente preferiu não fazer ataques do tipo ao país asiático, que prometeu acompanhar o discurso de Bush a fim de ver se os norte-americanos colocariam de lado sua "hostilidade". O presidente e seus principais assessores fizeram pressão nas últimas semanas para convencer a Coréia do Norte a retomar as negociações sobre seus programas nucleares.
- Estamos trabalhando de perto com governos na Ásia a fim de convencer a Coréia do Norte a abandonar suas ambições (nucleares) - afirmou Bush na única referência direta feita ao país comunista durante seu discurso de 40 minutos.
Sobre o Irã, o presidente repetiu suas acusações de que o país está desenvolvendo armas atômicas. O governo iraniano afirma pesquisar essa tecnologia para montar usinas atômicas voltadas para a produção de energia elétrica. Bush também prometeu ficar ao lado do povo iraniano em sua busca por liberdade, uma declaração considerada um ataque velado aos clérigos que controlam o país islâmico.
As autoridades norte-americanas esperam que as eleições recentes realizadas no Afeganistão, no Iraque e nos territórios palestinos incentivem mudanças no Irã. Os iranianos vão às urnas este ano. Apesar das palavras duras, Bush falou em esforços multilaterais para resolver as diferenças com o Irã.
- Estamos trabalhando com os aliados europeus a fim de deixar claro ao regime iraniano que ele precisa abrir mão de seu programa de enriquecimento de urânio e de reprocessamento de plutônio e que ele precisa colocar fim a seu apoio ao terror - afirmou.
O presidente também reservou palavras duras para a Síria, a quem acusou de permitir "que seu território e partes do Líbano sejam usados por terroristas que procuram destruir as chances de paz na região". Bush ainda fez um apelo aos aliados dos EUA no Oriente Médio, conclamando-os a buscar "padrões mais altos de liberdade".
Ao mesmo tempo em que disse que reformas "esperançosas" estão ocorrendo do Marrocos à Jordânia, o presidente pediu à Arábia Saudita "que dê provas de sua liderança na região expandindo o papel de sua população na determinação do futuro dela".