Rio de Janeiro, 05 de Junho de 2026

Cadê o processo contra Paulinho da Força

Por Altamiro Borges - Segundo o 'insuspeito' Estadão, o ato juntou "centenas de pessoas" na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo

Terça, 12 de Abril de 2016 às 06:37, por: CdB

Na última sexta-feira, o deputado Paulinho da Força, integrante da tropa de choque do correntista suíço Eduardo Cunha e famoso por seu pragmatismo mercenário, promoveu um "ato dos sindicalistas pelo impeachment de Dilma". O evento foi um fiasco, não repercutindo sequer na mídia golpista

Por Altamiro Borges - de Brasília:

Segundo o 'insuspeito' Estadão, o ato juntou "centenas de pessoas" na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, um velho reduto de pelegos ligados ao tucanato. Vários dirigentes da Força Sindical, central tratada como feudo pelo deputado da sigla Solidariedade, não compareceram ao evento e já se manifestaram publicamente contra o golpe em curso no país.

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Aécio Neves e Paulinho

Entre os convidados, o cambaleante Aécio Neves, presidente do PSDB, e o decadente Roberto Freire, coronel do PPS. Em seu discurso, Paulinho da Força, hoje aliado de Paulo Skaf, dono da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e de outros empresários contrários às leis trabalhistas, até tentou justificar a conspiração. "Havia a imagem que o PT estava tentando passar de que todo o movimento sindical estava com eles. Por isso, nós resolvemos convocar o movimento sindical de São Paulo para dizer: os sindicalistas querem fora Dilma, ninguém aguenta mais o governo do PT". Ele também afirmou que o objetivo do ato é "livrar o Brasil da corrupção". Haja cinismo! Paulinho da Força só se traveste de vestal da ética devido à lentidão da Justiça. Em setembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu abrir uma ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele passou à condição de réu e terá que responder a um processo a ser julgado pelo próprio STF - mas que ainda não tem data marcada. A decisão teve como base um pedido do Ministério Público Federal, que acusou o deputado de crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Na ocasião, até os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, sabidamente vinculados aos golpistas, "avaliaram haver indícios de crime e autoria" - segundo reportagem do G1, da Globo. "Conforme a denúncia, Paulinho da Força seria beneficiário de desvio em financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social a uma loja e à prefeitura de Praia Grande (SP). Os valores seriam desviados através de uma empresa de consultoria que, segundo o MPF, não realizava os serviços. As 'comissões', ainda segundo as investigações, variavam de 3% a 4% dos valores dos financiamentos. A denúncia também narra que Paulinho atuava a partir de um conselheiro do BNDES indicado pela Força Sindical, central sindical que preside", descreve o site. Este não é o único caso suspeito envolvendo o chefe da tropa de choque do correntista suíço. No final de março, o Jornal do Brasil informou que "um dos principais defensores do impeachment de Dilma e grande aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o deputado federal Paulinho da Força (SDD-SP) figura na lista de políticos beneficiados com propinas da construtora Odebrecht... De acordo com planilhas apreendidas pela Polícia Federal, Paulinho da Força recebeu R$ 500 mil como 'pagamentos via bônus'. As informações constam em um e-mail encontrado no computador de um dos executivos da construtora, na Operação Acarajé". De fato, é preciso livrar o Brasil dos corruptos e dos cínicos!

Altamiro Borges, é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
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