Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

China terá tarifas de importação para têxteis

Segunda, 13 de Dezembro de 2004 às 09:07, por: CdB

A China vai impor tarifas de exportação sobre alguns de seus produtos têxteis, medida que pode reduzir atritos com os Estados Unidos e outros países por causa da esperada torrente de mercadorias chinesas nos mercados mundiais após um sistema global de cotas expirar no final deste ano.

A decisão anunciada pela mídia estatal na segunda-feira é uma das oito medidas divulgadas pelo Ministério do Comércio para ajudar a indústria do país a se ajustar ao comércio liberalizado. Ela também reflete a preocupação do ministério em evitar que os produtos chineses possam ser alvo de medidas antidumping e de barreiras tarifárias por causa do impacto de sua produção têxtil no exterior, após o fim do sistema de cotas.

O ministério não informou quais produtos serão alvo de novas tarifas ou o tamanho da cobrança sobre eles. O governo apenas informou que as tarifas serão baseadas em quantidade em vez de valor dos produtos.

- Esperamos que ao adotarmos esta medida, possamos encorajar as exportações de produtos de maior valor agregado e otimizar a estrutura da indústria de exportação de têxteis da China - afirmou o ministério.

Outros passos incluem a exigência das companhias têxteis da China informarem o governo sobre seus planos de expansão, motivá-las a investir no exterior e fomentar o desenvolvimento de marcas domésticas. A expectativa de um súbito aumento do comércio de têxteis da China tem alarmado os Estados Unidos, que consideram imposição de barreiras tarifárias em reposta a pedidos de grupos norte-americanos que alegam que serão atingidos por um aumento das importações.

O Instituto Americano de Fabricantes de Têxteis prevê que a participação da China em importações de vestuário nos Estados Unidos vai subir de 16 por cento no ano passado para 71 por cento até o final de 2006. O volume de negócios pode enviar 42 bilhões de dólares em pedidos para a China.

Mas grandes varejistas como Wal-Mart têm aguardado ansiosamente pelo fim das cotas, que devem reduzir os preços de roupas para os consumidores. Entre os vencedores na China estarão companhias como Texwinca, Fountain Set e Victory City . Analistas afirmam que estas empresas ampliaram capacidade de produção em 60 por cento em antecipação ao fim das cotas.

A China produziu 17 por cento dos têxteis e roupas do mundo em 2003, mas a Organização Mundial do Comércio vê que esta participação possa subir para 50 por cento nos próximos três anos. Na semana passada, a Comissão Européia pediu à China para flexibilizar o poder produtivo de sua indústria têxtil com moderação para evitar problemas em economias de países em desenvolvimento menores que dependem fortemente do comércio de produtos do setor.

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