Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026

Confederações se unem contra Infantino e cobram Fifa

Para as três instituições, o episódio representa não apenas um problema de procedimento, mas uma quebra de confiança entre a Fifa e as instituições que integram o futebol mundial.

Segunda, 10 de Agosto de 2026 às 10:42, por: CdB

Para as três instituições, o episódio representa não apenas um problema de procedimento, mas uma quebra de confiança entre a Fifa e as instituições que integram o futebol mundial.

Por Redação, com ANSA – de Bruxelas

Três confederações continentais do futebol elevaram o tom das críticas à Fifa e ao seu presidente, Gianni Infantino, em uma carta conjunta na qual afirmam que “o futebol não pertence a um único indivíduo ou instituição”.

Infantino tem sido alvo de críticas por plano de privatização

A manifestação, divulgada nesta segunda-feira, foi assinada pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e pelas confederações Asiática de Futebol (AFC) e da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e ocorre após a polêmica proposta, posteriormente retirada, de criação de uma empresa com investidores privados para administrar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

Para as três instituições, o episódio representa não apenas um problema de procedimento, mas uma quebra de confiança entre a Fifa e as instituições que integram o futebol mundial.

“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou reivindicar – o poder. É um dever se servir à família do futebol que a confia a você”, afirmaram.

Segundo as confederações, quando a confiança é quebrada por meio de “engano” e uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe conferiu autoridade, o dever de liderança deixa de ser cumprido.

“O futebol é a maior paixão compartilhada do mundo. Ele não pertence a um único indivíduo ou instituição. Pertence aos jogadores, aos torcedores, aos clubes, às federações e a todas as instituições encarregadas de salvaguardar o seu futuro”, acrescentaram.

No documento, Uefa, AFC e Concacaf também contestaram a avaliação da Fifa de que os problemas relacionados à proposta teriam sido resultado de um “erro de comunicação”. Para as entidades, o episódio foi, na realidade, um “erro de julgamento”.

De acordo com a carta, a proposta foi apresentada em um prazo considerado excessivamente curto, sem consultas adequadas e com um cronograma que teria dificultado a análise de seus termos pelas associações.

Para as confederações, as circunstâncias indicam que não houve apenas um descuido, mas uma estratégia que teria limitado a supervisão sobre a operação.

As instituições afirmam ainda que a Fifa não reconheceu que a própria proposta de vender uma participação nos direitos da Copa do Mundo apresentava um problema fundamental.

“Não houve reconhecimento de que a proposta em si era fundamentalmente falha”, dizem. Na avaliação, a tentativa representou uma “quebra fundamental de confiança” nas instituições que a Fifa deveria proteger.

A carta também questiona uma reunião recente envolvendo um grupo selecionado de integrantes do comitê diretivo da Fifa, que teria ocorrido no exterior, em vez de os principais dirigentes se deslocarem a Zurique para dialogar com a equipe da própria entidade.

Para Uefa, Concacaf e AFC, a escolha reforça as preocupações sobre a forma como a Fifa vem sendo conduzida. “Esse não é o comportamento de alguém que atua como guardião do futebol, mas sim de alguém que acredita que o futebol deve prestar contas a si mesmo”, afirmam.

Copa do Mundo

As três instituições ressaltam ainda que sua posição não representa uma tentativa de reabrir decisões já tomadas coletivamente, como a expansão das competições ou a distribuição de vagas para a Copa do Mundo. Para elas, essas decisões devem continuar válidas.

A questão central, afirmam, é “mais fundamental”: a integridade do futebol e a integridade daqueles que foram eleitos para liderá-lo.

Por fim, as três entidades afirmam que a unidade do futebol deve ser acompanhada de transparência e prestação de contas. “Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, e distanciamento onde deveria haver transparência”, dizem.

O texto ressalta que essas não são características compatíveis com a liderança que consideram adequada para o futebol mundial: “É por isso que assumimos esta posição: não de forma leviana nem isolada, mas em conjunto e por um senso de dever para com o esporte que servimos”.

Para as confederações, “a força do futebol sempre foi a sua unidade”. “Exigimos que essa unidade seja honrada agora com uma liderança que sirva ao futebol, em vez de tentar dominá-lo”, finalizaram. 

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