Rio de Janeiro, 10 de Março de 2026

CPI da Petrobras ouvirá viúva de Janene

Alberto Youssef acusa Janene, morto em 2010, de ser o mentor do esquema de cobrança de propina na estatal. A viúva de Janene vai à CPI com habeas corpus.

Quinta, 09 de Julho de 2015 às 09:38, por: CdB
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A viúva de José Janene foi convocada para falar do relacionamento do ex-deputado com o doleiro Alberto Youssef
A CPI da Petrobras vai ouvir os depoimentos de três pessoas na semana que vem. Na terça-feira será ouvida a viúva do ex-deputado José Janene, Stael Fernanda Janene. E, na quinta-feira, o advogado-geral da União (AGU), Luiz Inácio Adams; e o ministro Valdir Moysés Simão, da Controladoria Geral da União (CGU). A viúva de José Janene foi convocada para falar do relacionamento do ex-deputado com o doleiro Alberto Youssef. Youssef acusa Janene, morto em 2010, de ser o mentor do esquema de cobrança de propina na Petrobras. Apesar de não ser acusada no processo da Operação Lavas Jato, ela comparecerá à CPI munida de um habeas corpus que lhe dá o direito de não responder perguntas que possam comprometê-la. Janene morreu em 2010 em consequência de doença cardíaca grave, constatada por junta médica da Câmara em 2006, quando ele respondia a acusação de envolvimento no Mensalão. Segundo o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, Janene era o centro do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras e atuava em nome do PP, partido que liderava na Câmara. Adams e Simão foram convocados para falar dos acordos de leniência feitos com empresas acusadas de desvio de dinheiro e pagamento de propina pela Operação Lava Jato. Júlio Camargo e Marcelo Odebrecht A CPI da Petrobras aprovou 73 requerimentos de convocação de depoentes, pedidos de informação a diversos órgãos, acareações e quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônicos. A votação foi possível devido à suspensão da Ordem do Dia do Plenário da Câmara – durante o qual as comissões não podem votar, de acordo com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Entre as convocações aprovadas estão as do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, do empresário Júlio Camargo e do policial Jaime de Oliveira. Camargo, ex-representante no Brasil da empresa Toyo Setal, fez acordo de colaboração com a Justiça e disse que houve pagamento de propina a diretores da Petrobras, intermediada por Fernando Soares, preso em Curitiba (PRE) e apontado como operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da estatal – o que ele e o partido negam. Jaime de Oliveira é policial civil do Rio de Janeiro e é acusado de transportar dinheiro de propina a serviço do doleiro Alberto Youssef.
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