Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Criminosos que vivem em Miami precisam voltar ao Brasil, diz presidente

Durante o lançamento do 'Programa Brasil Contra o Crime Organizado', Lula cobra dos EUA a entrega de criminosos brasileiros que vivem em Miami, propondo cooperação internacional no combate ao crime.

Terça, 12 de Maio de 2026 às 20:03, por: CdB

O programa prevê investimentos bilionários e ações voltadas ao sistema prisional, à investigação de homicídios, ao combate ao tráfico de armas e à asfixia financeira de organizações criminosas.

Por Redação, com ABr – de Brasília

Durante o lançamento, nesta terça-feira, do ‘Programa Brasil Contra o Crime Organizado’, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os Estados Unidos precisam colaborar com a entrega de bandidos brasileiros que vivem livremente, em Miami (FL), caso queiram participar de forma efetiva do combate ao crime internacional.

Criminosos que vivem em Miami precisam voltar ao Brasil, diz presidente | O delegado Ramagem, foragido em Miami, nos EUA, seria o chefe da ‘Abin paralela’ criada no governo Bolsonaro
O delegado Ramagem, foragido em Miami, nos EUA, seria o chefe da ‘Abin paralela’ criada no governo Bolsonaro

O programa prevê investimentos bilionários e ações voltadas ao sistema prisional, à investigação de homicídios, ao combate ao tráfico de armas e à asfixia financeira de organizações criminosas. Segundo o presidente, ainda há muitos obstáculos para que “as pessoas de bem vençam as pessoas do mal”, em referência à necessidade de aperfeiçoar a resposta do Estado diante das organizações criminosas.

Lula disse, ainda, que o debate sobre segurança pública precisa envolver também o Judiciário. O presidente citou queixas apresentadas por governadores e por forças policiais sobre situações em que criminosos permanecem presos por pouco tempo ou mantêm influência mesmo dentro do sistema prisional. Para ele, o plano precisa estar em sintonia com o Conselho Nacional de Justiça e com os demais poderes.

 

Favelas

O presidente também afirmou que o crime organizado não pode ser tratado como um fenômeno restrito às favelas ou às periferias. Segundo Lula, criminosos podem estar em diferentes espaços da sociedade, incluindo mansões, setores empresariais e até instituições políticas. A fala buscou ampliar o foco da estratégia de segurança para além da atuação territorial das facções.

Nesse contexto, Lula mencionou brasileiros que vivem em Miami e defendeu que a cooperação internacional seja concreta. Ao relatar conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil tem interesse em trabalhar em conjunto contra o crime, mas cobrou reciprocidade.“Eu disse a Trump, se quiser combater de fato o crime internacional, precisa começar a entregar uns nossos que estão em Miami”.

A declaração ocorre em meio ao debate sobre brasileiros que fugiram do país e passaram a viver nos Estados Unidos. Entre os casos recentes está o do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, detido na Flórida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE, e posteriormente liberado por decisão administrativa, segundo informações divulgadas pela imprensa.

 

Trump

Em encontro recente, Lula e Trump trataram de temas econômicos e de segurança, incluindo a cooperação contra o crime organizado, segundo relatos divulgados pela imprensa.

A fala desta terça-feira reforça a posição brasileira de que o combate internacional ao crime deve incluir colaboração jurídica, troca de informações e entrega de pessoas procuradas pela Justiça brasileira. 

A solenidade contou com a presença do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-PB); do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); de ministros, parlamentares e representantes dos Estados.

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