O programa prevê investimentos bilionários e ações voltadas ao sistema prisional, à investigação de homicídios, ao combate ao tráfico de armas e à asfixia financeira de organizações criminosas.
Por Redação, com ABr – de Brasília
Durante o lançamento, nesta terça-feira, do ‘Programa Brasil Contra o Crime Organizado’, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os Estados Unidos precisam colaborar com a entrega de bandidos brasileiros que vivem livremente, em Miami (FL), caso queiram participar de forma efetiva do combate ao crime internacional.

O programa prevê investimentos bilionários e ações voltadas ao sistema prisional, à investigação de homicídios, ao combate ao tráfico de armas e à asfixia financeira de organizações criminosas. Segundo o presidente, ainda há muitos obstáculos para que “as pessoas de bem vençam as pessoas do mal”, em referência à necessidade de aperfeiçoar a resposta do Estado diante das organizações criminosas.
Lula disse, ainda, que o debate sobre segurança pública precisa envolver também o Judiciário. O presidente citou queixas apresentadas por governadores e por forças policiais sobre situações em que criminosos permanecem presos por pouco tempo ou mantêm influência mesmo dentro do sistema prisional. Para ele, o plano precisa estar em sintonia com o Conselho Nacional de Justiça e com os demais poderes.
Favelas
O presidente também afirmou que o crime organizado não pode ser tratado como um fenômeno restrito às favelas ou às periferias. Segundo Lula, criminosos podem estar em diferentes espaços da sociedade, incluindo mansões, setores empresariais e até instituições políticas. A fala buscou ampliar o foco da estratégia de segurança para além da atuação territorial das facções.
Nesse contexto, Lula mencionou brasileiros que vivem em Miami e defendeu que a cooperação internacional seja concreta. Ao relatar conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil tem interesse em trabalhar em conjunto contra o crime, mas cobrou reciprocidade.“Eu disse a Trump, se quiser combater de fato o crime internacional, precisa começar a entregar uns nossos que estão em Miami”.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre brasileiros que fugiram do país e passaram a viver nos Estados Unidos. Entre os casos recentes está o do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, detido na Flórida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE, e posteriormente liberado por decisão administrativa, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Trump
Em encontro recente, Lula e Trump trataram de temas econômicos e de segurança, incluindo a cooperação contra o crime organizado, segundo relatos divulgados pela imprensa.
A fala desta terça-feira reforça a posição brasileira de que o combate internacional ao crime deve incluir colaboração jurídica, troca de informações e entrega de pessoas procuradas pela Justiça brasileira.
A solenidade contou com a presença do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-PB); do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); de ministros, parlamentares e representantes dos Estados.