Líderes da União Européia reunidos em um encontro de cúpula em Bruxelas encerraram dois dias de debate sem chegar a um acordo para a proposta de uma nova Constituição para o bloco.
O fracasso nas negociações foi provocado pelas disputas sobre a nova distribuição de votos que cada Estado terá com a entrada de dez novos membros na União Européia, prevista para o ano que vem.
Polônia e Espanha insistem em manter as regras para o direito de voto como estão e se opõem à mudança proposta por França e Alemanha para que o sistema de votação passe a ser proporcional à população dos países membros. Outros países exigem uma mudança radical para tornar mais simples o sistema de votação.
William Horsley, correspondente da BBC em Bruxelas, afirma que o resultado da reunião de cúpula soa como um desastre para a União Européia e aumenta o clima de incerteza que ronda o futuro do bloco.
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Recusa
A Itália, que atualmente detém a presidência rotativa da União Européia, anunciou que os líderes do bloco se reunirão novamente no ano que vem para retomar as negociações.
De acordo com Horsley, uma autoridade presente às discussões afirmou que a França forçou o fracasso das negociações ao se recusar a considerar qualquer outro acordo sobre o sistema de votação.
O correspondente diz ainda que França e Alemanha devem emitir um comunicado conjunto sobre o futuro das negociações para a aprovação de uma Constituição européia e sobre o futuro do próprio bloco.
Espanha e Polônia, um dos futuros novos membros da União Européia, argumentam que o sistema de votação deve permanecer como ficou definido no acordo de Nice, que determinava que os dois países teriam direito a quase tantos votos quanto a Alemanha, que tem uma população bem maior.
Poloneses e espanhóis afirmam que as mudanças no sistema de votação previstas na proposta de Constituição reduzem de maneira significativa o poder dos dois países e isso seria inaceitável para as duas nações.
- Se não é possível chegar a um acordo, devemos esperar. Estamos falando de compromisso ou dominação - disse Wlodzimierz Cimoszewicz, ministro de Relações Exteriores da Polônia.