Rio de Janeiro, 23 de Junho de 2026

Diante crise, Rússia tende a suspender exportação de diesel ao Brasil

A Rússia estuda um veto à exportação de diesel, afetando o Brasil, seu maior fornecedor. Entenda as implicações da guerra na Ucrânia e a crise energética.

Terça, 23 de Junho de 2026 às 20:34, por: CdB

O problema é a renovada campanha de ataques com drones e mísseis da Ucrânia, em guerra desde 2022, contra o sistema energético russo.

Por Redação, com Reuters – de Moscou

A Rússia estuda um veto total à exportação de seu óleo diesel, algo que afetaria diretamente o Brasil, que tem no país em guerra com a Ucrânia o seu maior fornecedor internacional do derivado do petróleo. Segundo o vice-premiê Alexander Novak, considerado o czar do setor energético por supervisionar suas atividades, a medida e outras podem ser necessárias para estabilizar os preços no mercado interno russo.

Petroleiro
Petroleiro russo, carregado de diesel, chega para abastecer os estoques do Brasil

O problema é a renovada campanha de ataques com drones e mísseis da Ucrânia, em guerra desde 2022, contra o sistema energético russo. A queda de produção de derivados como a gasolina nas refinarias do país chegou a 25% no começo deste mês, segundo consultores locais.

Novak afirmou que também poderão ser tomadas medidas tarifárias, como novas taxas de exportação, o que também implicaria aumento de custos para os brasileiros. Desde o início da Guerra da Ucrânia, o Brasil passou a elevar sua compra de diesel russo, vendido com descontos atrativos dadas as sanções que clientes usuais de Moscou passaram a aplicar no fim de 2022, como países europeus.

 

Importação

Em maio, mesmo com a queda já relatada na produção russa, o diesel de Moscou foi dominante na pauta de importação do derivado pelo Brasil, com quase 75% dos desembarques no país. Os Estados Unidos vêm num distante segundo lugar.

No mercado brasileiro, que depende fortemente do diesel para fazer circular suas mercadorias dado o uso intensivo da malha rodoviária, a Petrobras fornece cerca de 70% do produto. O restante vem de fora.

Desde que a Europa impôs um teto progressivo às compras de petróleo e derivados russos, algo menos radical inicialmente no caso do gás natural pela dependência que tinha de Moscou, o Brasil tornou-se o terceiro maior comprador do diesel russo.

 

Otan

Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, da Noruega, do início das sanções europeias até maio deste ano, 11% do derivado foram embarcados para o Brasil, pouco menos do que o índice da China (13%).

A Turquia lidera a lista, com 26% das vendas. O país, que é membro da aliança militar Otan, apoia o esforço de guerra de Kiev, mas tem boas relações com Moscou. No caso do petróleo, a pauta exportadora russa é dominada pela China e pela Índia, parceiras da Rússia no bloco BRICS assim como o Brasil.

Para a Rússia, a questão é tão econômica quanto política. Os recentes ataques ucranianos, que fizeram cair em 15% a exportação do petróleo cru do país em maio devido aos danos a terminais marítimos, levaram a crises na oferta de diesel e gasolina em diversas regiões.

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