Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

DJ é confundido com ladrão e agredido por entregadores

No Catete, DJ é confundido com ladrão e agredido por entregadores, resultando em fratura no nariz. Entenda os detalhes desse caso de violência urbana.

Quarta, 29 de Abril de 2026 às 12:51, por: CdB

Caso aconteceu no Catete e deixou professor de discotecagem com fratura no nariz após espancamento motivado por engano.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O DJ e professor de discotecagem Bruno Vasconcelos Leitão, de 37 anos, viveu momentos de violência no bairro do Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro, no último dia 24. No próprio aniversário, ele foi confundido com um ladrão de bicicleta e acabou espancado por três entregadores de aplicativos de delivery.

DJ é confundido com ladrão e agredido por entregadores | Bruno teve o nariz quebrado, além de escoriações pelo corpo
Bruno teve o nariz quebrado, além de escoriações pelo corpo

Bruno utilizava uma bicicleta alugada por aplicativo, modelo compartilhado disponível em diversos pontos da cidade, e seguia para uma loja de bolos quando foi abordado e atacado.

Segundo relato da vítima, não houve qualquer chance de explicar a situação antes do início das agressões. Ele recebeu socos e chutes, principalmente na região do rosto, sofrendo ferimentos graves.

Cirurgia

Após o ataque, Bruno ficou com o nariz fraturado, hematomas e diversas escoriações pelo corpo. De acordo com ele, será necessário realizar uma cirurgia nos próximos dias para corrigir a lesão.

Durante as agressões, o professor afirmou que tentou mostrar o aplicativo para comprovar que havia alugado a bicicleta legalmente, mas os homens não acreditaram.

– Achei até que fosse um assalto. Disse que tinha alugado a bicicleta e mostrei o aplicativo. Expliquei que estava indo comprar um bolo porque era meu aniversário – relatou.

Ainda segundo Bruno, os entregadores alegaram que furtos de bicicletas compartilhadas têm sido frequentes na região do Catete, o que teria motivado a reação violenta.

Violência

Mesmo após dias do episódio, Bruno segue com dores e afastado de compromissos profissionais. Ele cancelou apresentações previstas para os dias seguintes e afirma estar abalado física e emocionalmente.

O DJ também fez uma reflexão sobre o clima de tensão e violência crescente na cidade, destacando o impacto de conteúdos publicados em redes sociais e grupos de bairro.

Para ele, publicações que incentivam uma espécie de “justiça pelas próprias mãos” ajudam a estimular abordagens agressivas e ações impulsivas nas ruas.

– Isso me faz pensar na incitação que vemos na internet. Há muitas postagens em grupos de bairro e perfis de redes sociais que levam pessoas a atitudes violentas e extremas – disse.

Segundo Bruno, um dos agressores chegou a pagar os medicamentos comprados após o episódio, e todos pediram desculpas pelo erro.

Aniversário terminou com dor e revolta.

O que seria uma comemoração simples acabou transformado em trauma. Bruno conta que estava prestes a comprar um bolo para cantar parabéns em casa e, no dia seguinte, trabalharia em uma festa de aniversário.

Nada disso aconteceu.

– Eu estava chegando para comprar um bolo. Iria cantar parabéns aqui em casa. No dia seguinte, tocaria em uma festa. Não consegui trabalhar e sigo com dores de cabeça. Meu rosto está muito machucado – lamentou.

O caso expõe mais uma vez como insegurança, tensão urbana e reações precipitadas podem transformar suspeitas em episódios graves de violência.

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