Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

Empresas imobiliárias ocultam patrimônio ilícito do Master, diz PF

Investigação da PF revela esquema de ocultação de patrimônio por empresas imobiliárias ligadas ao Banco Master e ex-presidente do BRB.

Sexta, 17 de Abril de 2026 às 14:56, por: CdB

Segundo a investigação, empresas foram criadas para adquirir imóveis e ocultar a titularidade dos bens.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

A Polícia Federal (PF) identificou a criação de um conjunto de empresas do setor imobiliário utilizado para ocultar patrimônio em um esquema que envolve o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A apuração integra a quarta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, que investiga lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Empresas imobiliárias ocultam patrimônio ilícito do Master, diz PF | O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília

Segundo a investigação, empresas foram criadas para adquirir imóveis e ocultar a titularidade dos bens. O empresário Hamilton Edward Suaki, ligado ao advogado Daniel Monteiro, aparece como diretor formal das companhias e é apontado como “interposta pessoa” para encobrir a relação dos investigados com os imóveis.

Mensagens obtidas pela PF mostram que Costa e Monteiro discutiam a criação de uma “estrutura” empresarial para viabilizar a compra dos imóveis e ocultar a propriedade. Em um dos trechos, Monteiro afirma que “a documentação está pronta” e menciona a definição de um diretor para as sociedades e a organização da transferência de recursos.

A PF aponta que pelo menos seis imóveis avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões foram negociados como forma de pagamento de propina a Paulo Henrique Costa, em troca de decisões que favoreceram transações entre o BRB e o Banco Master. Parte dos valores, cerca de R$ 74 milhões, já teria sido paga.

Uma auditoria independente entregue à PF indica que as negociações com o Master eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e realizadas sob pressão. O relatório aponta que carteiras foram fragmentadas para evitar aprovação do conselho e que aquisições bilionárias foram decididas e analisadas no mesmo dia. Em alguns casos, tratativas ocorreram sem entrega de relatórios exigidos contratualmente.

Entre 2024 e 2025, cerca de 83% das operações do BRB envolveram ativos ligados ao Master. O banco público adquiriu aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras, sendo que cerca de R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de inconsistências, ausência de lastro e problemas documentais. Há ainda suspeitas de contratos inadimplentes e registros em nome de pessoas mortas.

As investigações indicam que Costa atuou na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e na aquisição de carteiras de crédito da instituição privada. O Banco Central (Bacen) vetou a operação ao apontar falta de viabilidade e riscos ao banco público. Em seguida, decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Alertas técnicos

De acordo com a PF, mesmo diante de alertas técnicos sobre inconsistências nas carteiras, Costa teria dado aval às negociações e incentivado a aceleração dos contratos. A investigação aponta que ele teria atuado para viabilizar a entrada de recursos no Banco Master e, em contrapartida, recebido vantagens indevidas.

Ainda na quinta-feira, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Foram presos Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro. A defesa afirma que a prisão é “absolutamente desnecessária”.

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e 2025 e já era alvo da investigação desde a primeira fase da operação, quando foi afastado do cargo. Em depoimentos, ele negou irregularidades e afirmou que decisões no banco eram colegiadas e que não havia evidências de problemas nas carteiras.

De acordo com a PF, são investigados crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação é um desdobramento de fases anteriores, que já resultaram em bloqueio de bens e outras medidas judiciais.

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