Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Espetáculo infantil ‘Cadê o Sobrevento?’ estreia no Rio

Montagem celebra 40 anos do Grupo Sobrevento com teatro de formas animadas, luva chinesa e trilha de Arrigo Barnabé.

Sexta, 23 de Outubro de 2026 às 10:13, por: CdB

Montagem celebra 40 anos do Grupo Sobrevento com teatro de formas animadas, luva chinesa e trilha de Arrigo Barnabé.

Por Redação – do Rio de Janeiro 

O Grupo Sobrevento estreou em 1998 um de seus maiores sucessos. O divertido Cadê o meu herói?, do argentino Horacio Tignanelli, fez história no universo do teatro de bonecos. Mais: tornando de conhecimento público e notório o emblemático trabalho de artistas, diretores, pesquisadores e incansáveis titereiros do coletivo, referência mundial em seu ofício. Naquele final da década de 1990, a montagem surpreendeu a crítica. Uma questão era exaltada em uníssono: o virtuosismo na manipulação dos bonecos através da técnica da Luva Chinesa, arte milenar, quase fora dos acontecimentos teatrais no Brasil. Outro: a montagem valorizava de maneira pioneira a cenografia, fato raro até então, quando palcos singelos abrigavam as apresentações de fantoches. Resultado: Cadê o meu herói conquistou teatros lotados com até, pasmem, 30 mil pessoas, quase três vezes a lotação do Maracanãzinho.

Atores-manipuladores do Grupo Sobrevento: Agnaldo Souza, Luiz André Cherubini, Maurício Santana e Sandra Vargas – Foto: Marco Aurélio Olímpio

Esse dedo de memória vem a calhar. Agora, para comemorar 40 anos de trajetória, Luiz André Cherubini, Sandra Vargas, Maurício Santana e Agnaldo Souza, retomam aquela história por outro ângulo. Dia 31 de outubro, às 16h, estreia no Teatro I do Sesc Tijuca a inédita e debochada montagem Cadê o Sobrevento?, que evoca a memória de Cadê o meu herói?, mas envereda por delirantes caminhos. O dramaturgo Horacio Tignanelli é o autor da peça. O ponto de partida é o misterioso sumiço do Grupo Sobrevento, depois de “um passado de fama e glória”. É diversão garantida e muita surpresa para a plateia. Na ficha técnica está um time de primeira linha: o compositor Arrigo Barnabé, o estilista João Pimenta e a cenógrafa Telumi Helen. A temporada é realizada através do Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar. Fundado no Rio de Janeiro e hoje sediado em São Paulo, o Grupo Sobrevento apresenta o novo espetáculo até dezembro, aos sábados e domingos, com ingressos populares. A temporada marca o início da comemoração de 40 anos do Sobrevento, motivo de intensa programação em 2027.

O Sobrevento volta ao Rio, mas sobretudo, ao bairro da Tijuca, Zona Norte, que significa muito para o grupo, que foi sediado no bairro. “É muito importante estar no Rio, renovar o contato com todos, público e artistas, além de trazer os avanços de uma manipulação de fantoches como raras vezes se viu, uma técnica que nos orgulha muito de trabalhar, porque hoje o Sobrevento é procurado também para ensinar essa metodologia e sua manipulação”, conta o diretor Luiz André Cherubini, carioca e tijucano. A Luva Chinesa, técnica utilizada em Cadê o Sobrevento? pode alcançar movimentos incríveis. Quase um malabarismo, sem exagero. O personagem interpretado pelo ator-manipulador é capaz de realizar desde os gestos mais delicados até ações surpreendentes: a sutileza de servir e tomar chá, por exemplo, ou escalar paredes e mover bastões e espadas.

Toda essa ourivesaria abraça o roteiro de Cadê o Sobrevento?. O deboche e a diversão propostos pelo “sequestro” do Sobrevento mostram um roteiro interessado na reflexão de vários aspectos que vêm se enraizando nas relações interpessoais. Um dos principais é a necessidade de diálogo entre as gerações numa sociedade envolta em medo e isolamento. “Claro, nosso espetáculo também aborda a inevitável e sonhada renovação do mundo e do Teatro. De forma divertida, propõe um outro olhar para os novos tempos, como o Sobrevento tem tratado de fazer a cada espetáculo de sua longa carreira”, completa Luiz André.

Para reciclar o trabalho com a Luva Chinesa, o Sobrevento convidou para um workshop em São Paulo Yeung Fai, marionetista treinado pelo pai e pelo próprio irmão, Yang Feng (que originalmente ensinou aos artistas do grupo a técnica e morreu em 2003). São a quinta geração da sua família a trabalhar com a técnica. “A vinda de Fai promoveu nosso aperfeiçoamento, mas também viabilizou uma oportunidade única de intercâmbio teatral para dezenas de artistas em nosso teatro, em São Paulo”, conta o diretor Luiz André Cherubini. Na época em que montou “Cadê o meu herói?” uma crítica de teatro muito importante disse que seria impossível o Sobrevento trabalhar nessa técnica. “Ela alegava que era um aprendizado histórico, necessário ser desenvolvido ao longo de gerações. Seguimos nos aprimorando, ao contrário do que a crítica avaliou, encontramos um caminho com a Luva Chinesa e fomos muito bem-sucedidos, a ponto de conquistar a admiração de importantes companhias chinesas do gênero. Nós não temos medo dessas técnicas, nem de elementos de tradições muito antigas. E isso porque as misturamos com as nossas próprias tradições. Eu acho que esse desafio é um pouco a base da construção da história do nosso grupo, da nossa companhia”, completa Luiz André.

O argentino Horacio Tignanelli aceitou o convite para escrever Cadê o Sobrevento?. Astrônomo, diretor do Departamento de Difusão Científica do Ministério de Educação da Argentina, o autor é um dos maiores nomes da dramaturgia para crianças e do Teatro de Bonecos da América Latina. Para Horacio Tignanelli voltar a encontrar o Sobrevento é pura emoção. Neste depoimento bem-humorado, recupera a amizade longeva com o Grupo. “Ainda que pareça o contrário, os titereiros temos pouco em comum. Posso dizer que entre mim e o Sobrevento há muito em comum, um privilégio que desfruto desde o século passado.  Num caminho tão cheio de silêncios e distâncias como é este em que transitam as pessoas que vivem em países diferentes, a existência de um outro que pensa como você, que sente o mesmo, é um tesouro com que somente a Arte pode nos presentear. Quando o Sobrevento montou ‘Cadê o meu herói?’, ele o converteu em um espetáculo maravilhoso, pela qualidade técnica e genuína sensibilidade que multiplicou minhas intenções originais”, declara Tignanelli.

Histórico

Fundado em 1986, o Sobrevento é um grupo profissional de Teatro que mantém um repertório de espetáculos e que se dedica à pesquisa, teórica e prática, da animação de bonecos, formas e objetos.  Desde sua fundação, o Grupo mantém um trabalho continuado, apresentado em 23 cidades brasileiras, além de constante presença em turnês internacionais: Peru (1988), Chile (1996, 2002, 2009, 2010 e 2017), Espanha (1997, 1999, 2000, 2001, 2004, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2014 e 2018), Colômbia (1998 e 2002), Escócia (2000), Irlanda (2000), Argentina (2001), Angola (2004), Irã (2010), México (2010), Suécia (2011), Estônia (2011),  Inglaterra (2013), França (2017), Eslováquia (2018), China (2017 e 2019) e Índia (2020). É um dos principais representantes do Brasil em importantes Festivais Internacionais de Teatro e de Teatro de Bonecos.

O Sobrevento é conhecido pelos espetáculos Mozart Moments (1991), Beckett (1992), O Theatro de Brinquedo (1993), Ubu! (1996), Cadê o meu Herói? (1998), O Anjo e a Princesa (1999), Brasil para Brasileiro Ver (1999), Submundo (2002), O Cabaré dos Quase-Vivos (2006), O Copo de Leite (2007), Orlando Furioso (2008), Meu Jardim (2010), Bailarina (2010), A Cortina da Babá (2011), São Manuel Bueno, Mártir (2013), Sala de Estar (2013), Eu Tenho uma História (2014), Só (2015), Terra (2016), Escombros (2017), Noite (2019), O Amigo Fiel (2019), Pérsia (2022) e Pra Lá de Teerã (2022). O repertório tem recebido, constantemente, Prêmios ou indicações para Prêmios da importância do Mambembe (Funarte/Ministério da Cultura), Shell e APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Dirigido, ainda hoje, por Sandra Vargas e Luiz André Cherubini, seus fundadores, o Grupo Sobrevento é reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos maiores especialistas brasileiros em Teatro de Animação e uma das principais Companhias estáveis de Teatro do Brasil.

Luva Chinesa

40_Personagem Kung Fu. Fantoche capaz de dar giros, fazer “estrelas”, dar saltos mortais no ar e quebrar tábuas de madeira -Foto: Marco Aurélio Olímpio

A origem da arte dos bonecos de luva chineses perde-se no tempo e remonta, possivelmente, ao século XVI. Toda a movimentação dos bonecos demanda um longo treinamento que o Sobrevento desenvolve há quase 30 anos. Nesta técnica, os bonecos podem fazer ações surpreendentes. São jogados para o alto e retomados na mão; lançam flechas; servem e tomam chá; colocam óculos; manejam espadas, lanças e alabardas; lutam; vestem e removem roupas, entre muitas outras possibilidades. O virtuosismo conquistado na elaboração para a criação de Cadê o meu herói? resultou na conquista do Prêmio Mambembe, conferido pelo Ministério da Cultura, em 1998.

Dramaturgia

Pedrinho, o carteiro, herói da trama – Foto: Marco Aurélio Olímpio

A história de Cadê o Sobrevento? mostra, de forma crítica e muito bem-humorada, as personagens apresentadas no espetáculo Cadê o meu Herói? (do mesmo autor) e traça um paralelo entre o que aconteceu com elas, com o Teatro e com o mundo, em um lapso de quase 30 anos. E apesar de tantas mudanças, ou graças a elas, nos damos conta de que, mais do que nunca, precisamos do bom e novo diálogo para resolver os velhos problemas. Assim, quando a história começa, flagramos a Baronesa – outrora uma donzela que conquistou o coração e o castelo do Barão Amaro de Azevedo. Viúva, tornada amarga e rancorosa com o passar do tempo e com a ausência do marido –passar a controlar tudo e todos, como uma tirana impiedosa. Seus soldados, antes alegres, tornaram-se zumbis, monstros e perderam toda a alegria. O castelo, antes dourado, está abandonado, grafitado e tornou-se lúgubre e triste. Naquele ambiente, a filha da Baronesa quer deixar o castelo em busca de seu destino, mas a Baronesa não quer deixá-la partir, afinal de contas o mundo tornou-se perigoso, como atesta o caso do desaparecimento do outrora famoso Grupo Sobrevento. É aí que um jovem carteiro chega ao castelo, com uma mensagem. A Baronesa tenta deter o intruso, buscando atacá-lo, prendê-lo, subjugá-lo e, para isto, lança mão de diferentes monstros, seus paladinos. O jovem, invencível, escapa, dando novos rumos à história, bem diferentes das histórias de heróis do passado.

Ficha técnica:

Criação: Grupo Sobrevento

Direção: Luiz André Brasil Cherubini

Atores – Manipuladores: Agnaldo Souza, Luiz André Cherubini, Maurício Santana e Sandra Vargas

Dramaturgia: Horacio Tignanelli

Cenografia: Telumi Hellen

Cenotécnico: Alício

Direção musical e músicas: Arrigo Barnabé

Figurinos: João Pimenta

Iluminação: Renato Machado

Figurinos Bonecos: J. E. Tico

A ssistância figurinos Bonecos: Bernardo

Técnico de Iluminação: Marcelo Amaral

Operação de Som e Vídeo: Lupe Cherubini

Direção de Produção : Sandra Vargas

Produçao Executiva: Maurício Santana

Assistente de Produção: Laura Vargas Cherubini

Assessoria de Imprensa : Mônica Riani

Programação Visual: Ato Gráfico

Serviço:

Cadê o Sobrevento?
Criação: Grupo Sobrevento
Direção: Luiz André Cherubini e Sandra Vargas

Dramaturgia: Horacio Tignanelli
Atores-manipuladores: Agnaldo Souza, Luiz André Cherubini, Maurício Santana e Sandra Vargas

Data: de 31 de outubro a 13 de dezembro

Dias da semana: Sábado e domingo, 16h

Local: Teatro I do Sesc Tijuca

Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539, Rio de Janeiro – RJ

Ingressos: R$ 14 (habilitado Sesc), R$ 10 (meia-entrada), R$ 18 (conveniado), R$ 20 (inteira), Gratuito (PCG)

Venda online no site da Ingresso.com e na bilheteria do teatro

Bilheteria – Horário de funcionamento:

Terça a sexta – de 7h às 19h30; Sábados – de 9h às 19h; Domingos – de 9h às 18h.

Classificação indicativa: Livre

Duração: 60 min

Lotação: 120 lugares

Gênero: Infantil

Edições digital e impressa